04/02/2026
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Violência e seu impacto na saúde mental da população

Na semana passada, uma megaoperação policial no Rio de Janeiro se tornou um dos dias mais violentos da história recente do país. A ação, chamada Operação Contenção, teve como cenário os complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da cidade. Participaram cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, com o objetivo de conter o avanço do Comando Vermelho (CV) e cumprir mais de 100 mandados de prisão contra integrantes da facção criminosa.

O resultado dessa operação foi alarmante: 121 pessoas morreram, um número que supera o registrado no Massacre do Carandiru, ocorrido em 1992. A repercussão da ação foi intensa, tanto no Brasil quanto internacionalmente, e levantou discussões sobre o impacto da violência na vida cotidiana das comunidades que vivem em favelas. Além dos confrontos e das perdas, os moradores lidam diariamente com medo, tensão e insegurança, que afetam sua saúde mental e bem-estar.

### O Efeito do Medo no Corpo e na Mente

Viver sob a constante ameaça de violência altera a maneira como o corpo reage ao ambiente. A sensação de perigo pode fazer com que o organismo permaneça em estado de alerta, mesmo em momentos que parecem seguros. O cérebro, quando aciona essa resposta, libera hormônios do estresse, como cortisol e adrenalina, que, em situações normais, são ativados pontualmente. Quando essa ativação se torna constante, o sono se torna leve, o apetite muda e o corpo começa a mostrar sinais de cansaço físico e emocional.

Especialistas afirmam que a violência contínua mantém o cérebro em um estado de alerta constante, prejudicando funções como memória, atenção e regulação emocional. Para muitas pessoas, esse estado pode levar ao desenvolvimento de transtornos como ansiedade, depressão e estresse pós-traumático. Em crianças e adolescentes, isso pode se refletir em problemas de comportamento e desempenho escolar. Já entre os adultos, os sintomas comuns incluem insônia, sensação de impotência e fadiga, o que indica um corpo que não consegue relaxar.

### Impactos Emocionais nas Comunidades Periféricas

A repetição de episódios violentos influencia também a maneira como as pessoas enxergam o futuro. A insegurança frequente pode levar muitas pessoas a desistirem de planejar a vida a longo prazo. Essa carga emocional, somada à dificuldade em encontrar tratamento, aumenta os níveis de sofrimento psicológico nas comunidades.

### Trauma Coletivo e Individual

Os efeitos da violência não afetam somente indivíduos, mas também o sentido de comunidade. O trauma individual ocorre quando uma pessoa vivencia um evento violento, como um tiroteio ou a perda de um ente querido. Já o trauma coletivo surge quando um grupo inteiro é impactado por um evento traumático, gerando um clima de medo e insegurança que permeia todos os moradores. Mesmo aqueles que não vivenciaram a situação diretamente podem sentir suas consequências no ambiente ao seu redor.

### Acesso Limitado a Cuidados Psicológicos

A busca por ajuda psicológica, por parte dos moradores de comunidades afetadas, é muitas vezes dificultada por estigmas, falta de tempo ou a crença de que é necessário enfrentar a dor sozinho. A rotina marcada pela tensão cria a falsa ideia de que sintomas como ansiedade e insônia são normais. Além disso, mesmo quando há a vontade de procurar atendimento, a realidade muitas vezes é de barreiras. A alta demanda e a falta de recursos no Sistema Único de Saúde (SUS) dificultam o acompanhamento contínuo de pacientes que estão em sofrimento psíquico, o que agrava seus sintomas e prolonga o ciclo de adoecimento.

A situação continua a exigir atenção redobrada das autoridades e da sociedade, uma vez que a saúde mental da população precisa ser priorizada, especialmente em tempos de tanta violência e insegurança.

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