09/02/2026
@»pontonaturalbrasil»Herança sem registro de união? Sim, mas com condições importantes.

Herança sem registro de união? Sim, mas com condições importantes.

Mesmo Sem Registro em Cartório, Quem Viveu em União Estável Pode Ter Direito à Herança

É possível que pessoas que viveram em união estável adquiram direitos sobre a herança mesmo sem ter registrado a relação em cartório. No entanto, a comprovação dessa união por meio judicial é fundamental. Esse reconhecimento é que vai decidir quem terá direito à partilha dos bens.

A união estável é definida no artigo 1.723 do Código Civil e, de acordo com o que dizem os especialistas, deve ser um relacionamento público, contínuo e duradouro, com a intenção de formar uma família. Sem a comprovação judicial, a partilha de bens pode ser dificultada, especialmente em casos de divergências entre herdeiros.

Reconhecimento Judicial da União Estável

O registro em cartório facilita a comprovação da união, mas não é um requisito obrigatório. Quando a escritura não existe, é preciso entrar com uma ação de reconhecimento de união estável post mortem. Esse processo requer a apresentação de provas da convivência, como contas bancárias conjuntas, declarações do imposto de renda, inclusão em planos de saúde e até mesmo fotografias do casal.

Os juristas afirmam que o reconhecimento judicial é o que realmente garante os direitos sucessórios. O registro no cartório é apenas um meio de prova e não é o que define a existência da união. Sem esse reconhecimento, o companheiro sobrevivente não consegue participar oficialmente do inventário.

A Partilha de Bens Após o Reconhecimento

Após o reconhecimento judicial da união, aplicam-se as regras do artigo 1.829 do Código Civil que tratam da sucessão. Assim, o companheiro sobrevivente divide a herança com os filhos do falecido, respeitando sempre o regime de bens que estava em vigor durante a união.

É importante lembrar que a ausência de um registro em cartório não altera o percentual da herança a que o companheiro tem direito. No entanto, a falta de documentação pode tornar o processo de partilha mais moroso, pois exige comprovações adicionais. Muitas vezes, surgem disputas judiciais entre companheiros e herdeiros quando não há documentações sólidas e claras.

Tipos de Prova Aceitos pela Justiça

Os tribunais aceitam diversos tipos de provas para comprovar a convivência de um casal em união estável. Os principais documentos incluem comprovantes de residência comum, contas de consumo no nome dos dois, extratos bancários, planos de saúde compartilhados e fotos de momentos em família.

Os depoimentos de amigos e familiares também são vistos como válidos para confirmar a estabilidade do relacionamento. Quanto mais completas e organizadas forem as provas, maiores as chances de reconhecimento da união. Provas isoladas, por outro lado, podem gerar incertezas e atrasar decisões judiciais.

Vantagens de Registrar a União em Cartório

Embora não seja imprescindível, o registro da união estável em cartório é uma maneira eficaz de evitar conflitos familiares. A escritura formaliza a relação e define o regime de bens, funcionando como um documento fácil de ser comprovado em situações de falecimento.

A formalização da união não apenas facilita a prova no futuro, mas também pode evitar litígios. Contudo, vale destacar que a ausência de registro não elimina o direito à herança, mas dificulta a sua comprovação. O essencial é demonstrar a convivência à Justiça.

Além disso, casais podem criar pactos patrimoniais que regulam a administração e a partilha de bens. Essa documentação adicional pode aumentar a segurança jurídica e minimizar disputas após a morte de um dos parceiros.

O Que Fazer Quando o Companheiro Falece Sem Registro

Se um companheiro falece sem que a união tenha sido formalizada, é importante agir rapidamente. Especialistas recomendam reunir todos os documentos que comprovem a convivência e entrar com o pedido de reconhecimento da união estável post mortem. Essa ação é indispensável para que o companheiro sobrevivente participe do inventário e da partilha dos bens.

É recomendável guardar contratos, extratos, apólices de seguro e outros documentos que possam reforçar a prova da convivência. Agir de maneira rápida evita a perda de documentos e facilita o processo judicial.

Importância da Orientação Jurídica e Prevenção

Para evitar disputas futuras, é aconselhável que casais em união estável formalizem a sua relação e mantenham a documentação organizada. É bom incluir atualizações de dependentes em planos de saúde e previdência, além de guardar comprovantes de gastos conjuntos.

O planejamento prévio é muito importante para prevenir conflitos após a morte de um dos parceiros. Embora a falta de registro não retire o direito à herança, ela impõe o ônus de provar a união perante a Justiça, o que pode se tornar um ponto central em disputas patrimoniais.

Conclusão

Finalizando, a união estável, mesmo sem registro, pode garantir ao companheiro sobrevivente direitos sobre a herança. O reconhecimento judicial se torna essencial, pois é ele que valida a relação perante a Justiça. É sempre recomendável formalizar a união e manter a documentação adequada para evitar complicações no futuro. A orientação jurídica correta e a organização dos documentos são as melhores maneiras de proteger os direitos de um parceiro sobrevivente.

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