09/02/2026
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Antirracismo no sistema de saúde: uma luta necessária

No mês da Consciência Negra, a representatividade de profissionais negros na área da saúde é enfatizada, com histórias de luta e avanço que impactam positivamente o sistema de saúde. Nos hospitais, consultórios e laboratórios do Distrito Federal, 15.487 pessoas se identificam como negras, de acordo com dados da Secretaria de Saúde (SES-DF). Dentre elas, 2.225 se declaram pretas e 13.262 pardas.

Um exemplo notável é a fisioterapeuta neonatal Janayna Bispo, que com 18 anos de experiência, lidera a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Universitário de Brasília (HUB-Unb/Ebserh). Janayna relata que sua trajetória se desenvolveu em um ambiente com pouca diversidade racial, e a sua posição como chefe da UTI neonatal frequentemente surpreende as pessoas. Ela ingressou no HUB em 2014 através de um concurso público que adotou a política de cotas raciais, e desde então tem enfrentado vários desafios, incluindo a falta de representatividade de profissionais negros na saúde. Janayna destaca que muitas vezes a percepção de dores e queixas de pacientes negros é minimizada, o que afeta diretamente a qualidade do atendimento.

Um caso marcante para ela foi o atendimento a uma mãe que, emocionada, disse que era a primeira vez que se sentia “vista” em uma UTI. Isso a motivou a se dedicar ainda mais à formação de um ambiente de saúde acolhedor e inclusivo. Para cumprir essa missão, ela está organizando o evento “Raízes que curam”, que visa sensibilizar e educar profissionais de saúde sobre a importância da antirracismo.

A neurologista Júlia Carolina Ribeiro, que trabalha no Hospital DF Star, também é uma profissional que enfrenta e supera barreiras na medicina. Ela menciona que, por ser mulher e negra, teve que se esforçar muito mais para atingir a mesma competitividade de seus colegas. Júlia se sente uma fonte de inspiração para jovens que buscam uma carreira na saúde. Ela relata que recebeu feedbacks positivos de pacientes que se identificam com sua trajetória e sentem que sua presença faz a diferença.

Eudes Judith Félix, técnica de enfermagem em Planaltina, tem uma carreira de 20 anos na SES-DF e também aborda o impacto do racismo em sua profissão. Ela observa que, muitas vezes, enfrenta agressões verbais e preconceitos no atendimento ao público. Apesar disso, Eudes acredita que a educação e o conhecimento são fundamentais para mudar a percepção que a sociedade tem sobre profissionais negros. Ela tem notado que muitos pacientes se sentem mais confortáveis sendo atendidos por ela.

João Victor Moraes, de 22 anos, é estudante de enfermagem na Universidade de Brasília. Ele enxerga a presença de estudantes negros na universidade como resultado de políticas públicas que estão finalmente dando frutos. João Victor espera ser um exemplo para outros jovens negros e negras que aspiram a uma carreira na saúde. Ele também se compromete a lutar contra o racismo institucional e a melhorar a assistência prestada a mulheres negras e indígenas.

Essas histórias revelam o papel essencial da representatividade na saúde e como a luta pela igualdade racial é parte fundamental do atendimento. O mês da Consciência Negra é, portanto, um momento significativo para reconhecer e valorizar essas trajetórias de superação e transformação.

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