05/02/2026
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Monitorar movimentos pode beneficiar sua saúde

Caminhar é uma atividade simples para a maioria das pessoas, mas cada passo envolve um processo complexo que integra cérebro, medula espinhal, nervos, músculos e articulações. Este ato cotidiano é resultado de uma precisa coordenação entre vários componentes do corpo.

Tradicionalmente, a avaliação da caminhada era feita com o auxílio de cronômetros, câmeras ou por observação de especialistas. No entanto, tecnologias modernas como sensores vestíveis e sistemas de captura de movimento estão transformando essa prática. Elas possibilitam a coleta e a análise de dados detalhados sobre o corpo em movimento, permitindo um entendimento mais profundo sobre a forma como nos deslocamos.

Essas inovações não só beneficiam atletas que buscam aprimorar seu desempenho, mas também ajudam pacientes em reabilitação com feedbacks personalizados. Com o advento dessas tecnologias, o movimento humano pode ser considerado um novo sinal vital, oferecendo insights sobre a saúde e o bem-estar.

Pesquisadores ao redor do mundo estão trabalhando em conjunto, utilizando áreas como fisiologia, biomecânica e ciência de dados para estudar o movimento humano. Esse esforço multidisciplinar pode levar a uma nova era na medicina, onde algoritmos de aprendizado de máquina detectam padrões a partir de dados coletados de maneira contínua.

Um exemplo de tecnologia no cotidiano é o Apple Watch, que usa sensores para medir atividades como passos dados, distância percorrida e ritmo de caminhada. Esses sensores registram milhares de dados por segundo, mas, por si só, esses números podem não ser úteis, pois muitas vezes estão cheios de interferências que dificultam a interpretação.

Para transformar esses dados em informações valiosas, os pesquisadores utilizam o processamento de sinais. Quando um sensor é colocado no tornozelo, ele coleta dados sobre aceleração e rotação, criando um perfil detalhado do movimento do corpo. As informações extraídas são filtradas, removendo ruídos e destacando o que realmente importa para a análise do desempenho.

No Human Performance and Nutrition Research Institute, na Universidade Estadual de Oklahoma, pesquisadores conseguiram avaliar a capacidade física de indivíduos sem a necessidade de testes complexos. Esse método pode revelar quão eficiente uma pessoa é em realizar atividades físicas com base em poucos passos de caminhada.

A velocidade ao andar, por exemplo, é um forte indicativo de longevidade e, ao monitorá-la, é possível enxergar mais sobre a saúde de uma pessoa e sua expectativa de vida.

Além do desempenho físico, esses algoritmos têm o potencial de contribuir para a prevenção de lesões e reabilitação. Há investigações em curso para desenvolver algoritmos que preveem a propensão de lesões em atletas apenas analisando seus movimentos. Da mesma forma, pesquisadores observam o progresso de pacientes que sofreram AVC, analisando como suas caminhadas evoluem e se o controle motor está se aprimorando, evitando compensações que possam causar novas lesões.

Essas ferramentas permitem a personalização de tratamentos, adaptando-os às necessidades de cada paciente. Por exemplo, em casos de Parkinson, essas técnicas já são usadas para diagnosticar a doença, monitorar seu avanço e identificar dificuldades na caminhada, emitindo alertas que ajudam o paciente a retomar o movimento.

Outros estudos estão focados em desenvolver exoesqueletos e dispositivos de assistência vestíveis, que auxiliam pessoas com limitações motoras a recuperar a mobilidade, gerando suporte no momento exato em que é necessário.

O futuro da medicina personalizada parece estar no monitoramento dinâmico, onde cada movimento traz informações importantes sobre como o corpo funciona, se adapta e se recupera. Com os avanços em sensores vestíveis, inteligência artificial e computação em nuvem, o monitoramento em tempo real e o biofeedback devem se tornar uma parte comum dos cuidados de saúde.

Dessa maneira, integrando biomecânica, processamento de sinais e ciência de dados, o movimento humano poderá se consolidar como um novo sinal vital, refletindo de forma imediata a saúde e o bem-estar de cada indivíduo.

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