Nos últimos anos, houve mudanças significativas no atendimento à saúde das mulheres, conforme aponta um novo estudo. Entre 2019 e 2024, as consultas ginecológicas e obstétricas apresentaram uma queda, assim como o número de partos, especialmente as cesarianas. Por outro lado, o uso de métodos contraceptivos de longa duração, como o DIU, aumentou. Esses dados fazem parte da análise publicada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), que examina o perfil da saúde feminina.
O estudo destaca um aumento no número de mulheres que possuem planos de saúde. Em 2024, cerca de 27,5 milhões de mulheres eram beneficiárias, um crescimento de 10% em relação a 2019. Embora o número de beneficiárias tenha crescido, os dados mostram uma diminuição preocupante nos atendimentos preventivos. As consultas ginecológicas caíram 12%, enquanto os exames de Papanicolau apresentaram uma redução de 18,4%. As mamografias, essenciais para o diagnóstico precoce do câncer de mama, também tiveram uma queda de entre 10% e 12%.
José Cechin, superintendente executivo do IESS, alerta que essa diminuição nos exames preventivos é alarmante. Embora o acesso à saúde tenha melhorado, a normalização dos serviços após a pandemia não resultou em uma recuperação proporcional nos exames de rastreamento. Ele ressalta que muitas mulheres estão adiando a maternidade e mudando suas escolhas de cuidados, mas a prevenção deve ser uma prioridade.
Entre os dados analisados, o uso de métodos contraceptivos de longa duração cresceu 33,1%, mostrando uma mudança no planejamento familiar. A taxa de fecundidade no país caiu para 1,55 filho por mulher em 2022, refletindo essa nova realidade. As cesarianas representaram 79,8% dos partos realizados em 2024, número muito acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, que sugere uma taxa entre 10% e 15%.
Além disso, o estudo observou um leve aumento de 2,9% nas consultas de mastologia, que estão relacionadas ao câncer de mama. No entanto, as internações cirúrgicas para tratamento desse tipo de câncer diminuíram em 16,7%. Isso pode indicar que mais casos estão sendo detectados precocemente, permitindo tratamentos menos invasivos.
Cechin finaliza destacando que menos cirurgias e um aumento nos atendimentos especializados sugerem melhorias na detecção precoce e no tratamento clínico das doenças. Essas mudanças, se consolidadas, podem trazer benefícios significativos para a saúde das mulheres no país.