04/02/2026
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Amizades são benéficas para a saúde, aponta estudo

Cultivar relacionamentos e amizades significativas é fundamental não apenas para o bem-estar emocional, mas também para a saúde física e a função cerebral. Pesquisas recentes mostram que conexões sociais fortes podem influenciar o envelhecimento e o funcionamento biológico do cérebro.

Um estudo publicado na revista Brain, Behavior and Immunity Health analisou dados de mais de 2.100 adultos e constatou que as chamadas “vantagens sociais” ao longo da vida, que incluem desde o carinho dos pais na infância até laços de amizade na vida adulta, estão ligadas a um envelhecimento mais saudável. Os pesquisadores, liderados por Anthony Ong da Universidade Cornell, descobriram que pessoas que mantêm vínculos mais profundos tendem a ter características biológicas que indicam um envelhecimento mais lento.

Além disso, esses indivíduos apresentaram níveis mais baixos de inflamação crônica, incluindo uma substância chamada interleucina-6, associada a problemas como doenças cardíacas e diabetes. Entretanto, os cientistas notaram que não houve correlação significativa entre as vantagens sociais e os níveis de estresse de curto prazo, como o hormônio cortisol. Isso sugere que os benefícios dos laços sociais se manifestam em formas biológicas mais duradouras.

De acordo com Ong, o diferencial do estudo é a maneira abrangente como analisaram as relações interpessoais. Em vez de focar em fatores isolados, como estar casado ou ter muitos amigos, ele enfatizou a importância das conexões sociais ao longo da vida. “A vantagem social cumulativa está ligada à profundidade e à amplitude das suas relações ao longo do tempo. Esses recursos se somam e influenciam a saúde de maneiras mensuráveis”, afirmou.

Impactos do Isolamento Social

A psiquiatra Fernanda Rasia, do Instituto Inki, explica que o isolamento social pode acelerar o envelhecimento celular, aumentando a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), que regula funções neuroquímicas e hormonais no corpo. Isso pode levar a um aumento do cortisol e de substâncias inflamatórias, contribuindo para problemas psicológicos.

Por outro lado, amizades duradouras podem ajudar a regular a atividade do sistema nervoso, promovendo a liberação de substâncias como a oxitocina e a dopamina. Relações sociais estáveis podem reduzir a ativação crônica do HHA, diminuindo assim o risco de inflamações e problemas de saúde.

Outra pesquisa realizada por Jia Jin e colegas da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai analisou como as amizades influenciam o cérebro e o comportamento. Em estudos com 175 participantes, os cientistas notaram que amigos tendem a ter avaliações parecidas sobre produtos, e essa semelhança aumenta conforme as amizades se tornam mais profundas.

As imagens de ressonância magnética mostraram que a atividade cerebral de amigos se sincronizava enquanto assistiam a anúncios, ativando áreas relacionadas à percepção, atenção e memória. Essa convergência neural pode ajudar a explicar como as relações sociais impactam as escolhas cotidianas, principalmente em decisões de consumo.

A psicóloga Izabelle Santos, do Hospital Anchieta, afirma que cuidar das relações sociais é uma maneira de zelar pela própria saúde. “Investir em vínculos sociais traz benefícios emocionais e para a saúde física. Envelhecer de forma saudável envolve estar conectado, já que o afeto fortalece e protege”, ressalta.

A Importância dos Laços na Terceira Idade

Um estudo da Universidade de Michigan revelou que ajudar amigos, como realizar tarefas domésticas ou preparar refeições, pode proporcionar bem-estar emocional a pessoas mais velhas. A pesquisa, que observou 180 idosos com idade média de 74 anos, mostrou que o apoio emocional era a principal forma de interação entre eles, seguido de conselhos e ajuda prática.

A pesquisadora Crystal Ng destaca que, apesar de estereótipos sobre a fragilidade da velhice, muitos idosos ainda oferecem suporte, revelando um caráter ativo em suas relações. Essa interação ativa ajuda a reforçar o senso de propósito entre os idosos e pode ter um impacto significativo sobre sua saúde mental e emocional.

A psicóloga Silvia Oliveira, de Brasília, aponta que o apoio emocional na velhice também está ligado ao legado que os idosos desejam deixar. “Muitos desejam construir relações positivas, mas se deparam com barreiras que precisam ser superadas”, explica. Ela enfatiza que nunca é tarde para aprender novas maneiras de cuidar e ser cuidado, destacando que o desenvolvimento emocional deve ocorrer ao longo da vida.

Os pesquisadores planejam, no futuro, investigar como a generosidade nas amizades e as motivações para prestar ajuda afetam o bem-estar na terceira idade.

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