08/02/2026
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Meta esconde evidências sobre impacto da saúde mental nas redes sociais

Meta encerra pesquisa sobre efeitos das redes sociais na saúde mental

A empresa Meta, que controla plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp, decidiu interromper uma pesquisa interna que avaliava os impactos das redes sociais na saúde mental dos usuários. A decisão ocorreu após a divulgação de processos judiciais nos Estados Unidos, movidos por distritos escolares, que revelaram que os resultados da pesquisa apontavam possíveis riscos à saúde mental dos usuários.

O estudo, chamado “Projeto Mercury”, foi conduzido em parceria com a Nielsen, uma empresa de pesquisa. A equipe da Meta estava analisando o efeito que a interrupção do uso do Facebook teria na vida das pessoas. Os primeiros resultados mostraram que, ao ficarem uma semana sem acessar a rede social, os participantes relataram uma diminuição nos sentimentos de depressão, ansiedade, solidão e na comparação social.

Contudo, ao analisar essas conclusões, a Meta optou por cancelar as pesquisas. Documentos internos mencionados nos processos indicam que a empresa acreditava que os resultados negativos poderiam reforçar uma “narrativa da mídia” desfavorável aos seus produtos. Um pesquisador anônimo destacou que o estudo demonstrava um “impacto causal na comparação social”, enquanto outro funcionário fez um paralelo com a indústria do tabaco, afirmando que a Meta omitiu informações sobre a saúde de seus usuários da mesma forma que as empresas de cigarro o fizeram no passado.

Apesar das descobertas sobre a relação entre uso das redes sociais e problemas de saúde mental, a Meta sustentou que não era possível afirmar com certeza que seus produtos causavam efeitos nocivos, especialmente nos adolescentes. Em declaração, Andy Stone, porta-voz da Meta, argumentou que a pesquisa foi interrompida devido a falhas na metodologia utilizada e afirmou que a empresa tem se esforçado para tornar seus produtos mais seguros.

Nos últimos anos, Meta implementou diversas mudanças em suas plataformas, ouvindo pais e pesquisando questões relacionadas à segurança dos jovens usuários. Stone ressaltou que a companhia fez avanços significativos com o intuito de proteger a saúde dos adolescentes.

Além da Meta, outras redes sociais, como Google, TikTok e Snapchat, também enfrentam críticas e processos que os acusam de ocultar os riscos associados ao uso de suas plataformas. Até o momento, essas empresas não se manifestaram sobre as acusações.

Os documentos do processo sugerem que a Meta pode ter gerado danos à saúde mental de seus usuários em uma escala mais preocupante do que seus concorrentes. As alegações incluem que a empresa desenhou recursos de segurança de maneira a serem ineficazes, prorrogou esforços para proteger crianças de predadores online e se preocupou mais com o crescimento da empresa do que com a segurança de seus usuários.

Em resposta, o porta-voz da Meta contesta as acusações, afirmando que a empresa possui políticas eficazes para retirar contas suspeitas e que os dados utilizados contra a companhia baseiam-se em informações mal interpretadas. Ele declarou que a Meta se opõe veementemente às alegações apresentadas.

Os documentos relacionados ao processo não foram tornados públicos, e a empresa já entrou com um pedido para que as informações não sejam divulgadas. Uma audiência sobre o caso está agendada para o dia 26 de janeiro, no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia.

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