Seminário Discute Saúde e População Negra no Ceará
No dia 26 de novembro de 2025, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) promoveu um seminário especial em homenagem ao Novembro Negro. O evento, intitulado “Seminário de Atualidades para a População Negra”, teve como principal objetivo discutir como melhorar o atendimento à população negra no Sistema Único de Saúde (SUS). O encontro reuniu profissionais de saúde, gestores, pesquisadores, estudantes e representantes de várias instituições.
Este seminário foi organizado pela Secretaria da Atenção Primária e Políticas de Saúde (Seaps), através da Célula de Atenção à Saúde das Comunidades Tradicionais e Populações Específicas (Cepop). Ele fez parte de uma série de actividades do Festival Afrocearensidade 2025, promovido pela Secretaria da Igualdade Racial (Seir). O festival visa combater o racismo e promover a equidade no acesso à saúde.
Durante a abertura do seminário, Thais Facó, coordenadora da Atenção Primária da Sesa, e Isabel Valentim, da Célula de Combate e Superação do Racismo da Seir, destacaram a importância do evento. Além das discussões, houve momentos de homenagem a figuras negras que tiveram um impacto significativo na cultura e na história do país, como Maria Lúcia Simão Pereira, uma teóloga e filósofa cearense que faleceu este ano.
Os participantes do seminário abordaram os desafios enfrentados pela população negra no acesso à saúde. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 70% da população do Ceará se identifica como preta ou parda. Esta realidade torna essencial a formulação de políticas de saúde que reconheçam as desigualdades sociais e as necessidades específicas desta população.
Thais Facó ressaltou que a população negra possui características únicas no que diz respeito à saúde e ao acesso a serviços médicos. Ela explicou que condições crônicas, como hipertensão e anemia falciforme, atingem este grupo com mais frequência. Essas condições, aliadas a desigualdades socioeconômicas, dificultam o acesso a cuidados adequados. E por isso, o investimento em educação permanente e letramento racial é fundamental para melhorar essa realidade.
Isabel Valentim também falou sobre a importância de uma abordagem intersetorial na promoção da equidade. Segundo ela, discutir as vulnerabilidades da população negra envolve também a falta de acesso a políticas públicas nas áreas de saúde, educação e cultura, que são críticas para evitar adoecimentos. A integração de saúde e igualdade racial pode melhorar a qualidade de vida e o bem-estar das comunidades.
Valéria Mendonça, representante da Cepop, destacou que o seminário traz à tona questões urgentemente necessárias para a melhoria do cuidado à população negra. Ela reafirmou o compromisso de ampliar a formação das equipes de saúde, garantindo um atendimento mais acessível e humano, baseado na equidade.
Esse evento representa um passo importante para discutir e enfrentar as desigualdades que afetam a saúde da população negra, promovendo ações que visem uma assistência mais justa e eficaz para todos.