21/03/2026
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Excesso de pesquisas sobre saúde na internet e seu impacto mental

Aumento da Cibercondria: Saibam como a Inteligência Artificial e a Internet Estão Impactando a Saúde Mental

Durante um encontro recente com amigos, um tema preocupante surgiu: como as pessoas lidam com os resultados de seus exames de saúde. Embora todos estivessem bem, muitos dos presentes relataram que costumam usar a inteligência artificial, como o ChatGPT, para interpretar seus resultados. Uma amiga, em particular, admitiu que faz isso frequentemente porque fica ansiosa à espera de uma resposta médica. Essa prática pode ser arriscada e, muitas vezes, levar a um quadro conhecido como cibercondria.

A cibercondria é um termo que designa a busca excessiva por informações sobre saúde na internet, muitas vezes resultando em alarmismo e ansiedade. Esse fenômeno se intensificou com a pandemia de COVID-19, quando muitas pessoas, temendo a doença, passaram a pesquisar obsessivamente sobre sintomas e diagnósticos.

Segundo a enfermeira e doutoranda em Saúde Pública, Bárbara Badanta Romero, a cibercondria pode transformar uma pesquisa inicial em um ciclo vicioso de preocupação. “O que começa como uma pesquisa inocente acaba em um mar de doenças possíveis e angústia crescente”, alerta a especialista. Esse ciclo pode levar o indivíduo a negligenciar sua vida diária, priorizando a busca por diagnósticos online em vez de suas responsabilidades profissionais e relacionais.

O conceito de cibercondria começou a ser discutido na década de 1990, mas sua gravidade só se tornou mais evidente anos depois, quando estudos apontaram o risco do autodiagnóstico e o aumento de distúrbios emocionais. Durante a pandemia, os dados não verificados proliferaram, contribuindo ainda mais para essa preocupação constante com a saúde. As consequências incluem não só o aumento da automedicação, mas uma crescente desconfiança em tratamentos comprovados, como as vacinas.

Romero ressalta que essa dependência de informações online, sem um olhar crítico, pode causar angústia psicológica. A incapacidade de avaliar a credibilidade de informações médicas disponíveis na internet é um fator agravante desse quadro.

Para lidar com a ansiedade relacionada à saúde de maneira mais saudável, a especialista oferece algumas recomendações. Primeiramente, é vital que as pessoas adotem uma postura crítica em relação às informações que encontram online. Questionar e refletir sobre as respostas deve ser uma prioridade. É importante desconfiar de curas milagrosas e sempre buscar confirmação em fontes confiáveis, bem como verificar se essas informações são atualizadas.

Romero destaca que o pensamento crítico é essencial: “Na era digital, ele é tão necessário quanto qualquer medicamento para aprender a navegar com segurança neste oceano de informações”. Portanto, a internet não deve ser vista como uma inimiga, mas sim como uma ferramenta que, se utilizada com cautela, pode auxiliar na compreensão da saúde sem gerar ansiedade excessiva.

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