06/02/2026
@»Mato Grosso Saúde»Sem rede de prestadores, não há saúde suplementar

Sem rede de prestadores, não há saúde suplementar

Atualmente, a situação da Unimed Ferj, responsável por cerca de 344 mil beneficiários, está em um momento crítico. Desde 20 de novembro, a gestão da operadora foi compartilhada com a Unimed do Brasil. Essa mudança foi imposta pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que apresenta a medida como uma solução, mas, na prática, muitos profissionais da saúde na ponta do atendimento não enxergam assim.

A crise no setor de saúde não se limita à operadora Unimed, mas afeta diretamente os pacientes, que podem ficar sem atendimento. Especialistas e prestadores de serviços observam que essa mudança é apenas uma tentativa paliativa, diante de um problema que persiste há mais de uma década no estado do Rio de Janeiro.

O novo arranjo financeiro entre a Unimed Ferj e a Unimed do Brasil levanta preocupações. Apenas 7% da arrecadação ficará com a Unimed Ferj, valor considerado insuficiente para cobrir as despesas operacionais, muito menos para quitar uma dívida que já ultrapassa R$ 2 bilhões, resultado de problemas financeiros herdados da Unimed-Rio e que se agravaram ainda mais durante a gestão da Ferj.

Desse modo, a situação financeira continua a ser um desafio. Além de não ter resolvido a questão, o novo modelo parece aprofundar a crise. O cenário é preocupante, pois não há clareza sobre de onde virão os recursos para garantir a operação e se comprometer com os prestadores que continuam a oferecer atendimentos mesmo sem receber. As clínicas e hospitais estão enfrentando pressão para prestar serviços sem contratos claros e sem garantias financeiras, o que não deveria ser responsabilidade deles.

A falta de transparência é outra questão alarmante. Não existem informações públicas confiáveis sobre quanto a Unimed Ferj arrecada, como os recursos são utilizados, ou detalhamentos sobre as dívidas acumuladas. Todas as operadoras são exigidas a reportar informações à ANS, mas no caso da Unimed Ferj, esses dados permanecem fragmentados e de difícil acesso.

Enquanto isso, a realidade nas unidades de saúde é crítica. Muitas grandes redes hospitalares já suspenderam atendimentos, e empresas de home care estão se recusando a aceitar novos pacientes. Essa situação não decorre de questões políticas, mas da inadimplência e da incerteza quanto aos contratos, gerando um risco real de que pacientes fiquem sem assistência.

A ANS, ora responsável por coordenar essa transição, deve ir além de um papel meramente técnico. É sua obrigação garantir que as informações sejam transparentes e que o modelo econômico apresentado seja viável. Ao endossar essa solução sem exigências claras, a agência transfere o risco para quem está na ponta do atendimento.

Nos últimos anos, diferentes tentativas de resolver essas questões já falharam, frequentemente resultando em maiores dívidas e um sistema ainda mais fragilizado. O que os prestadores de serviços buscam agora é simples: mais transparência sobre arrecadação e passivos, garantias financeiras, um plano de pagamentos e um projeto que enfrente as questões estruturais sem empurrar problemas para o futuro.

Com isso, a continuidade do atendimento e a saúde de milhares de pacientes no Rio de Janeiro estão em jogo. A integridade do sistema de saúde suplementar depende da clareza nos contratos e da estabilidade financeira. Sem uma rede de prestadores sólida, a saúde suplementar não tem como funcionar de forma eficaz.

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