09/02/2026
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Saúde mental no Rio Grande do Sul: um desafio a ser enfrentado

Mais de um ano após uma das maiores tragédias climáticas do Rio Grande do Sul, o impacto das enchentes ainda é evidente e a superação completa está longe de ser uma realidade. As inundações afetaram 478 municípios e mais de 2,3 milhões de pessoas, causando perdas irreparáveis de casas, memórias e até mudanças na geografia local. O trauma enfrentado pela população permanece, e a reconstrução não pode ser vista como um simples ato de seguir em frente.

Eventos climáticos severos têm um efeito duradouro, especialmente em relação à saúde mental. Pesquisas mostram que aumentos nas mortes relacionadas ao calor têm sido registrados desde a década de 1990. Após tragédias como as de Mariana e Brumadinho, muitos vivenciaram longos períodos de ansiedade, insônia e outras questões emocionais que podem durar por anos. Recentemente, um tornado no Paraná destruiu uma cidade, causando mortes e ferimentos, ressaltando a gravidade e a profundidade das consequências dessas catástrofes. No Rio Grande do Sul, a luta ainda continua, agora em uma nova fase.

Durante a crise, surgiram demonstrações de solidariedade e coragem. A formação de redes de apoio, onde famílias que perderam tudo dividiram o que tinham, e profissionais se dedicaram além dos limites, foram fundamentais. Essas ações, embora inspiradoras, não substituem a necessidade de políticas públicas estruturadas e de um reconhecimento de que a luta do povo gaúcho não deve ser romantizada.

A resiliência da população não deve ser uma forma de silenciar o sofrimento. É essencial que haja um suporte adequado para a reconstrução, especialmente para crianças, idosos e aqueles que enfrentaram múltiplas perdas. Essas pessoas são as mais vulneráveis ao trauma e precisam de acompanhamento especializado, uma questão vital de saúde pública.

Iniciativas como as do Instituto Moinhos Social têm mostrado resultados positivos. A organização mobilizou equipes multidisciplinares para oferecer assistência em saúde e apoio psicológico em abrigos, além de fornecer kits de higiene. A continuidade desse trabalho no período pós-emergência é essencial e deve ser vista como uma prioridade.

Para reconstruir o estado, são necessárias obras, planejamento, prevenção e investimento. No entanto, qualquer estratégia terá falhas se não levar em conta as pessoas. A saúde mental da população deve ser uma parte central dos debates, ao lado das questões ambientais. Isso envolve cuidado, educação emocional, fortalecimento das comunidades e políticas de longo prazo.

As marcas deixadas pela tragédia são um sinal de responsabilidade coletiva. O Rio Grande do Sul não se beneficia de heroísmos silenciosos; é fundamental que haja escuta, tratamento e políticas que garantam que ninguém enfrente essa jornada sozinho. A verdadeira reconstrução não se mede apenas pelas estruturas físicas, mas pela dignidade e reintegração das vidas afetadas. Se a enchente foi um evento coletivo, a cura também deve ser uma experiência conjunta.

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