Em Jacarta, a venda e o consumo de carne de cachorro e gato foram proibidos a partir da última segunda-feira, uma medida que toma conta das conversas na capital indonésia. O decreto, assinado pelo governador Pramono Anung, estabelece um período de seis meses para que os comerciantes e os consumidores se adaptem à nova legislação.
Sentado em frente a uma prateleira vazia, Alfindo Hutagaol, de 36 anos, consumia carne de cachorro grelhada com arroz e pimenta no momento em que soube da novidade. Ele manifestou sua desaprovação: “Essa proibição não deveria existir. Deus criou os cachorros para serem comidos. Não foquem apenas nos aspectos negativos, levem em conta seus benefícios!” Essa declaração reflete a resistência que existe em relação ao novo decreto.
A proibição surge em um contexto de crescente oposição ao consumo de carne de cachorro, especialmente em um país de maioria muçulmana, para quem essas práticas não são culturalmente aceitas. Apesar disso, algumas minorias ainda consomem a carne. Segundo estimativas, em 2022, cerca de 9,5 mil cachorros de rua foram levados mensalmente para abate na capital, proveniente principalmente de Java Ocidental, onde a raiva é uma preocupação recorrente. Contudo, não existem dados oficiais sobre o consumo em todo o país.
Além da questão de saúde pública, com a raiva tendo sido erradicada em Jacarta desde 2004, uma pesquisa de 2021 revelou que 93% dos indonésios se opõem ao comércio de carne de cachorro. Essa resistência é apoiada por organizações que defendem os direitos dos animais, como a coalizão Dog Meat Free Indonesia (DMFI). Um de seus membros, Merry Ferdinandez, comentou sobre a proibição, descrevendo-a como um “verdadeiro compromisso por parte das autoridades de Jacarta em prol do bem-estar animal”.
Em relação à prática de venda, a nova legislação não é única em seu objetivo. Embora a legislação nacional não proíba explicitamente o consumo, desde 2018 existem diretrizes que sugerem que os cães e gatos não devem ser tratados como alimento. Em Semarang, onde a venda já havia sido banida no ano passado, um caminhão com mais de 200 cachorros para abate foi apreendido e cinco pessoas foram presas.
Em Jacarta, muitos comerciantes já ajustam suas práticas de venda para evitar complicações legais. Com o aumento da fiscalização, muitos estão vendendo apenas para clientes conhecidos, o que elevou os preços. Restaurantes que outrora ofereciam carne de cachorro agora evitam discutir o assunto e se mantêm em silêncio sobre o comércio.
Ao considerar o futuro dos animais que não serão mais vendidos, a situação se torna incerta. Alfindo alerta que a proibição rigorosa pode levar algumas pessoas a começar a capturar cachorros de rua, o que levanta preocupações adicionais sobre segurança e bem-estar animal. “O governo deveria pensar duas vezes”, afirma.