Neste domingo, dia 30 de novembro, moradores do Parque Cecap se reuniram na praça Mamonas Assassinas para discutir os desdobramentos de um evento que está gerando controvérsias na comunidade. O Fest Show, programado pela Prefeitura para acontecer entre os dias 5 e 8 de dezembro, é alvo de ações judiciais que questionam sua realização em uma área próxima ao conjunto residencial.
A vereadora Fernanda Curti, do Partido dos Trabalhadores (PT), destacou a decisão de um juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública de Guarulhos, que negou um pedido para impedir a festa. O juiz aceitou a justificativa do prefeito de que interromper as obras do evento poderia resultar em inundações na região. Em contraste, os moradores argumentam que a obra realizada na área, que envolve aterros, pode agravar os problemas de enchentes nas ruas ao redor dos condomínios.
Na sua fala, a vereadora Curti expressou a determinação de continuar lutando contra a realização do evento, citando que sua equipe jurídica irá recorrer da decisão judicial. Ela criticou o foco do juiz, que, segundo a vereadora, parece priorizar a imagem da administração municipal em vez de considerar os impactos ambientais e os transtornos enfrentados pela comunidade. Curti também ressaltou que a mobilização dos moradores não é contra a cultura, mas defende que os eventos sejam realizados com planejamento adequado e em locais apropriados.
Durante a reunião, a ex-vereadora Luíza Cordeiro, que mora na região desde a década de 1970, trouxe à tona os relatos de algumas mães que expressaram preocupações sobre os efeitos do barulho e da movimentação provocados pelas obras e pelo show. Uma das mães, que tem um bebê de dois meses, informou que a situação já está afetando a criança, que se assusta com o barulho dos caminhões.
Outra mãe compartilhou a experiência de seu filho de dez anos, que está no espectro autista. Ela relatou que, embora o garoto goste de música, ele tem dificuldades com ruídos altos e já demonstrou ansiedade em relação aos shows. Preocupada, ela cogitou viajar durante os dias do evento, mas não conseguiu concretizar os planos.
Luíza também mencionou que consultas à Polícia Militar revelaram que, até aquele momento, não havia sido solicitado policiamento para o evento. A Polícia Civil informou que não possui estrutura para garantir a segurança no local. Apenas a Guarda Civil Municipal se comprometeu a atuar na segurança, considerando que a expectativa é de um público de cerca de 70 mil pessoas por dia.
Moradores da comunidade se mostraram céticos em relação à afirmação do prefeito de que a Prefeitura não terá custos com o evento. Eles questionaram a presença de caminhões e máquinas da Prefeitura nas obras, sugerindo que os custos, mesmo que não cobrados diretamente, seriam repassados em outros serviços prestados ao município.
Outros moradores expressaram sua insatisfação com a escolha do local para o evento, sugerindo que poderia ser realizado em um terreno desocupado ao lado da rodovia Dutra, onde não afetaria os moradores. A reunião contou ainda com a presença da vereadora Janete Pietá, da Rede, e do ex-prefeito Elói Pietá, do Solidariedade, que mostraram apoio à mobilização dos moradores.
A comunidade permanece atenta e ativa na busca por soluções e na defesa de seus direitos, ressaltando a importância do planejamento urbano e do respeito ao meio ambiente. Para saber mais sobre eventos na região, você pode acessar aqui.