Creches: Mais do que Educação, um Pilar da Saúde e Políticas Sociais
Estudo recente destaca a importância das creches públicas não apenas como espaços educacionais, mas também como fundamentais para a promoção da saúde e a redução de desigualdades sociais. A pesquisa, que analisou a alimentação de mais de três mil crianças de 12 a 23 meses em todas as regiões do país, foi baseada em dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, realizada pelo IBGE. A análise dos resultados ocorreu em 2024 e foi divulgada em 2025.
O principal objetivo do estudo foi comparar os hábitos alimentares de crianças que frequentam creches e as que não têm acesso a essas instituições. Foram criados dois indicadores: um para medir o consumo de alimentos naturais, como frutas e verduras, e outro para alimentos ultraprocessados, como doces e refrigerantes. As análises identificaram diferenças significativas, levando em conta variáveis como renda e escolaridade dos responsáveis.
Os resultados mostraram que as crianças que frequentam creches apresentam uma alimentação mais saudável, especialmente as de famílias com menos recursos. Embora haja um pequeno aumento no consumo de alimentos ultraprocessados entre estas crianças, este efeito foi compensado pelo aumento no consumo de refeições saudáveis. Este padrão foi notado em todas as regiões, sendo mais acentuado nas regiões Norte e Nordeste, onde as diferenças eram ainda mais marcantes.
Um dado importante é que crianças de famílias mais pobres conseguem ter acesso a uma alimentação similar à de famílias mais ricas quando estão matriculadas em creches. Isso evidencia o papel das creches como espaços que garantem acesso a alimentos de qualidade, independentemente das condições socioeconômicas do lar.
A pesquisa destaca que a má qualidade da dieta na infância está ligada a problemas de saúde, como obesidade e diabetes, que se tornam mais comuns na vida adulta. Alimentos insuficientes ou pouco nutritivos em idades precoces podem impactar a expectativa de vida e as condições de saúde no futuro.
Além de contribuir para a saúde, as creches são fundamentais para o acesso a políticas sociais, ajudando a reduzir as desigualdades já presentes na infância. Garantir que as crianças tenham acesso a refeições de qualidade nos centros educacionais é um desafio que requer atenção, pois isso pode mudar os rumos da vida delas.
Apesar de ser um direito, apenas 35% das crianças de zero a três anos estão matriculadas em creches no país. Embora o acesso entre crianças brancas e negras seja semelhante, as condições das creches tendem a ser piores para a população negra e nas regiões Norte e Nordeste, onde as crianças frequentemente têm menos acesso a frutas e verduras.
A pesquisa reforça a ideia de que a creche pode ser uma ferramenta eficaz na redução das disparidades sociais, educacionais e na promoção de melhores opções alimentares. Para isso, é crucial investir em programas que ofereçam alimentação saudável e variada nas creches.
Além de ampliar o acesso às instituições, é fundamental discutir a qualidade da alimentação oferecida, como a preferência por produtos locais e a formação de profissionais especializados em nutrição infantil. As creches podem atuar em colaboração com nutricionistas, professores e agentes comunitários para ajudar as famílias a adotarem hábitos alimentares saudáveis e a evitarem excessos de ultraprocessados.
O Brasil já possui um modelo de alimentação escolar reconhecido mundialmente, que serve como exemplo para garantir refeições a crianças em idade escolar. À medida que o país envelhece e enfrenta desafios sociais e econômicos, investir em creches se torna um caminho viável para garantir um futuro mais saudável, com menos doenças e mais oportunidades.
Em resumo, a pesquisa mostra que o investimento na alimentação das crianças pequenas é essencial para um desenvolvimento saudável e sustentável. As creches têm um papel decisivo na formação de hábitos alimentares desde a infância, o que reflete em melhores condições de saúde ao longo da vida.