05/02/2026
@»viaje no detalhe»A geração eterna do filho de Deus é tema central da fé

A geração eterna do filho de Deus é tema central da fé

Uma boa teologia nos convida a refletir sobre nossas crenças. Ao abordarmos doutrinas fundamentais, contamos com uma rica história de credos e confissões que nos orientam nessa jornada. Por exemplo, acreditamos que Deus Filho é “gerado eternamente, não criado, sem princípio, consubstancial ao Pai”. Mas, afinal, o que significa a geração eterna e qual sua importância?

A fé em Jesus como Filho de Deus é o coração do cristianismo. Em 1 João 4.15, lemos: “Se alguém confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus”. Acreditamos que Jesus é o Filho de Deus porque o Pai enviou o Filho para nos salvar (1 João 4.14). Contudo, é válido questionar até que ponto vai esta filiação e desde quando ela existe.

A resposta é clara: a filiação do Filho é tão antiga quanto Deus. Nunca houve um momento em que o Filho não fosse Filho, sempre esteve presente em Deus.

Existem Alternativas?

As alternativas à geração eterna não são aceitáveis. Por exemplo, se alguém disser que Jesus se tornou Filho de Deus em algum momento específico — como na descida do Espírito Santo, na transfiguração ou na ressurreição — isso seria uma forma de adocionismo. Isso limita a filiação a um período da vida de Jesus, ignorando sua essência eterna.

Outra possibilidade é afirmar que sempre existiu uma segunda pessoa na Trindade, mas que ela não era “o Filho” até a encarnação. Isso também interrompe a ideia de filiação antes de sua origem divina. Se a filiação só é real do nosso lado e não reflete nada em Deus, como ele poderia se revelar através do Filho?

Eternamente Pronto para o Envio

Quando o Novo Testamento menciona que o Pai enviou o Filho (1 João 4.14; João 3.16; Gálatas 4.4), isso implica que o Pai sempre teve o Filho ao seu lado, preparado para ser enviado. O Filho sempre esteve junto ao Pai; o único Deus é, ao mesmo tempo, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A profundidade da mensagem bíblica de salvação revela que, ao encontrar Cristo, encontramos aquele que esteve “no princípio com Deus” (João 1.2) e que se manifestou ao mundo (1 João 1.2).

Essa linha de pensamento foi expressa no século IV no Credo Niceno, que reconhece Jesus como Deus Filho e o descreve como “eternamente gerado”. Embora a palavra “gerado” possa parecer antiquada, significa “vir de um pai”. Essa ideia é análoga ao nascimento: os filhos são gerados pelos pais e nascem das mães.

Ao afirmar que Deus é Filho “eternamente gerado”, a tradição cristã nos mostra que a filiação de Cristo está enraizada em Deus. O Filho pertence a esta essência divina; para usar uma linguagem mais relacional, ele é da mesma essência que o Pai.

Por Que Usar Termos Não Bíblicos?

Pode parecer mais seguro usar apenas a linguagem bíblica e afirmar que Jesus é o Filho. No entanto, ao usar termos que não estão diretamente na Bíblia, conseguimos explicar melhor o que a Escritura nos ensina. Quando dizemos que o Filho é eternamente gerado, estamos especificando que, ao falarmos de “Filho”, não nos referimos apenas a algum tipo de filiação terreno.

Não queremos sugerir que o Filho é mais novo ou que tenha uma mãe divina. Ao afirmar sua geração eterna, deixamos claro que não estamos aplicando todas as características da filiação humana ao Filho divino. O Filho provém do Pai: coeternamente, coessencialmente e coigualmente. A geração eterna nos ajuda a entender o verdadeiro significado do termo “Filho de Deus”.

A Importância da Geração Eterna

Por que a geração eterna é relevante? Sua importância está em revelar a verdadeira natureza do Deus Filho, conforme descrito nas Escrituras. Mesmo que essa verdade não tenha implicações práticas, ela é suficiente para mantermos um entendimento equilibrado sobre a cristologia e sobre tudo que dizemos a respeito do Filho de Deus.

Além disso, esta doutrina tem significativas implicações práticas, especialmente em relação à salvação. Reconhecer a filiação de Jesus como originada em Deus nos ajuda a afirmar com precisão que ele é o Filho de Deus. Assim, fundamentar a filiação no próprio ser de Deus significa que nossa adoção também se baseia em Deus.

Quando Deus salva os pecadores, ele se aproxima de nós em nossa necessidade e nos convida a compartilhar de sua vida divina. Deus nos abre as portas da vida eterna sem comprometer sua divindade. É um ato em que Deus Pai envia Deus Filho e Deus Espírito Santo, envolvendo-nos na vida da Trindade, fonte única de salvação.

Adotados em uma Filiação Eterna

A filiação pela qual somos adotados como filhos e filhas é uma extensão da filiação que existe em Deus. O que Deus Filho é por natureza, os redimidos se tornam pela graça: filhos de Deus. Existe uma cadeia de filiação que conecta Deus à nossa salvação. O Filho unigênito transforma-se no Filho encarnado, estabelecendo comunhão com os filhos adotivos. Quanto melhor entendermos a geração eterna de Deus Filho, mais claro será o entendimento sobre nossa condição como filhos adotivos.

A doutrina da geração eterna é um tesouro na teologia cristã. Além de ser uma verdade bíblica, é uma posição tradicional que a igreja tem cultivado ao longo dos séculos. Esta doutrina perpassa toda a experiência de salvação e a vida cristã, que se baseia na eternidade do Filho eterno.

Conclusão

Entender a geração eterna de Jesus não é apenas uma questão teológica. É uma afirmação poderosa sobre nossa identidade como filhos e filhas de Deus. Essa doutrina nos ajuda a ver a profundidade do amor de Deus e o propósito de nossa vida em comunhão com Ele e com os outros. Na prática, tal entendimento nos transforma e nos guia na vivência da fé cristã, reafirmando a certeza da nossa salvação e filiação em Deus.

Sobre o autor: suporte

Ver todos os posts →