18/03/2026
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Pacientes esperam mais de um mês por cirurgias no Hospital de Taguatinga

Pacientes Esperam por Cirurgias em Hospital do Distrito Federal

Um relato de desespero vem de uma paciente internada no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), no Distrito Federal. Orleide Rodrigues, que aguarda uma cirurgia de vesícula, afirmou: “Estou há quase quatro dias sem comer, sem beber, esperando por essa cirurgia, e até agora nada”. Essa situação é comum para cerca de 20 pessoas que também estão no hospital, muitas delas esperando há mais de um mês por procedimentos considerados de baixa complexidade.

Vídeos enviados por pacientes mostram a realidade angustiante do local. Em uma dessas gravações, é possível ver a ala de internação lotada, com pacientes que têm braços e pernas imobilizados. Uma mulher, visivelmente emocionada, relatou que está internada há 30 dias e questionou: “Olha a situação. Isso é situação do ser humano?”. Essa reclamação reflete a preocupação de vários que estão à espera de cirurgias.

Um outro vídeo mostra uma paciente, que já estava há mais de 40 dias no hospital, perdendo a paciência devido à demora. Ela começou a gritar e quebrar equipamentos médicos, o que gerou uma reação de identificação e compreensão dos demais presentes na ala, que já estão acostumados com o clima de tensão.

A Secretaria de Saúde (SES), responsável pela gestão do hospital, não se manifestou sobre a situação até o momento, mas deixou em aberto a possibilidade para futuros comentários.

Crise na Saúde Pública

O contexto da saúde no Distrito Federal é alarmante. Para o ano de 2023, o orçamento destinado ao setor foi de R$ 13 bilhões. Contudo, a proposta do Governo do Distrito Federal para 2026 prevê um corte de R$ 1,1 bilhão na saúde. Este Projeto de Lei precisa ser aprovado pela Câmara Legislativa até 15 de dezembro.

De acordo com informações da SES, em abril de 2025, a força de trabalho na saúde contava com 32 mil profissionais. Desses, 28% eram técnicos de enfermagem, seguidos por 18% de trabalhadores de assistência pública, 15% de médicos, 13% de enfermeiros e 11% de especialistas.

Além da escassez de profissionais, a percepção da população sobre os serviços de saúde pública também é negativa. Um estudo recente apontou que 45,6% dos moradores desaprovam as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), enquanto 58,5% criticam os hospitais.

Audiência Pública na Câmara Legislativa

Diante da crise enfrentada pelo sistema de saúde na capital federal, a deputada distrital Dayse Amarílio, do PSB, convocou uma audiência pública para discutir a falta de profissionais e a necessidade de nomeações no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorrerá nesta terça-feira (2) na Câmara Legislativa do DF.

A falta de pessoal na saúde tem gerado um impacto significativo no atendimento à população, além de sobrecarregar os profissionais que estão atuando. A deputada Amarílio ressaltou a importância de discutir o dimensionamento de pessoal para garantir a qualidade do atendimento e assegurar o direito à saúde, destacando a necessidade de ações concretas para melhorar o sistema de saúde pública.

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