Na noite de terça-feira (2), Gilberto Gil apresentou o primeiro de seus dois shows no cruzeiro “Navio Tempo Rei”. A embarcação partiu do porto de Santos, em São Paulo, na segunda-feira (1º), e atracou no Rio de Janeiro no dia seguinte.
A apresentação ocorreu com o navio ancorado no Porto Maravilha, mas a forte chuva que caiu às 18h, horário programado para o início do show, atrasou a performance em quase duas horas. Quando Gil finalmente subiu ao palco, a escuridão já havia tomado conta do cenário.
Enquanto o chão molhado do navio era limpo pelos funcionários, a festa continuava com um mestre de cerimônias que animava o público, composto por cerca de 4.000 pessoas. O espetáculo incluía dançarinos e um DJ, promovendo um clima de resort, lembrando os diversos entretenimentos típicos de cruzeiros, como danças e brincadeiras.
O público do “Navio Tempo Rei” era predominantemente de pessoas mais velhas e de classe alta. As tarifas das cabines mais baratas começavam em R$ 9.000 para duas pessoas, sem contar os custos adicionais com bebidas e internet. Além do palco principal, o navio oferece 18 andares com uma variedade de opções, como piscinas, teatro, cassino, fliperama, cinema e várias áreas de restaurantes e bares.
No primeiro dia do cruzeiro, outros artistas se apresentaram, como Gilsons, Nando Reis e Jorge Vercillo. No segundo dia, Gil era a atração mais esperada, mas Os Paralamas do Sucesso e João Gomes também se apresentaram. O cantor baiano retornará ao palco na quarta-feira (3), quando também estão programados shows de Liniker e Elba Ramalho, antes que o navio siga seu caminho na quinta-feira (4).
A imagem de Gil estava em várias partes do navio, como totens, pôsteres e lojas, e suas músicas ecoavam nos alto-falantes, criando uma atmosfera que o tornava uma presença constante. A espera do público pelo cantor gerou impaciência durante um vídeo publicitário que antecedeu o show, causando algumas vaias.
Com 83 anos, Gil começou o show apresentando um pouco de rouquidão, mas rapidamente afinou sua voz. Após as canções “Palco”, “Banda Um” e “Tempo Rei”, conquistou a plateia. O público expressou sua admiração, com gritos como “Ele é uma entidade” e “É um orixá!”
O setlist incluiu clássicos como “Eu Só Quero um Xodó”, “Domingo no Parque”, e “Toda Menina Baiana”, entre outros. Músicas como “Extra”, “Punk da Periferia” e “Se Eu Quiser Falar com Deus” ficaram de fora, mas podem ser apresentadas na quarta-feira.
Um momento marcante foi a interpretação de “Cálice”, um clássico que remete à época da ditadura militar, precedida por um depoimento de Chico Buarque. A tradição de levantar o público durante “Toda Menina Baiana” se repetiu, quase fazendo o navio balançar com a energia da plateia.
Durante o show, Gil interagiu diretamente com o público, apresentando os músicos de sua banda. Este foi um dos shows mais íntimos da turnê “Tempo Rei”, que costuma ser realizada em arenas cheias, onde o contato com a plateia é mais distante.
Embora a vibração fosse diferente da encontrada em grandes arenas, Gil teve a oportunidade de observar e conversar com os fãs, defendendo seu repertório de uma maneira mais próxima e acessível.
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