Na Europa, existe uma crescente preocupação com a possibilidade de uma reaproximação entre a Rússia e os Estados Unidos. O recente encontro entre o presidente russo, Vladimir Putin, e duas figuras influentes da administração americana — o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump — acendeu alertas entre diplomatas europeus sobre como essa relação pode afetar a dinâmica regional.
No dia 2 de dezembro, Putin se reuniu com Kushner e Witkoff no Kremlin, juntamente com outros representantes do governo russo, como o assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, e Kirill Dmitriev, que dirige o Fundo Russo de Investimentos Diretos. Durante a reunião, o foco foi em propostas de paz, especialmente relacionadas ao conflito na Ucrânia, que é um assunto central nas relações internacionais atualmente. Desde novembro, os Estados Unidos estão promovendo discussões para um novo acordo de paz, que já passou de uma versão inicial com 28 itens para 19, após um encontro entre autoridades dos EUA, Ucrânia e Europa em Genebra.
A preocupação na Europa não se restringe apenas às propostas de paz, mas também ao receio de que essas negociações possam prejudicar blocos importantes, como a OTAN e a União Europeia. Diplomatas expressaram o medo de que a narrativa dos EUA sobre o conflito esteja se alinhando com a perspectiva russa. Essa mudança de foco poderia desestabilizar as alianças na região e enfraquecer a posição europeia em negociações que, em teoria, deveriam garantir um papel de destaque para a Europa.
Essa possível aproximação entre Moscou e Washington pode ter raízes profundas nas relações de poder de uma Europa que já enfrenta tensões geopolíticas. Muitos acreditam que a capacidade da Europa de influenciar a resolução do conflito na Ucrânia é essencial. Qualquer movimentação que coloque essa influência em risco poderia resultar em mudanças significativas na política do continente.
Assim, as próximas semanas serão decisivas para entender como essas novas dinâmicas se desenvolverão e qual será a posição da Europa neste novo cenário de relações internacionais.