Idade Certa para Dar um Smartphone aos Filhos: Estudo Aponta Riscos para a Saúde
Muitos pais hoje enfrentam a dúvida de qual é a idade apropriada para dar um smartphone aos filhos. A pressão de crianças e pré-adolescentes, que muitas vezes pedem esses dispositivos, contrasta com as preocupações de especialistas sobre os potenciais impactos negativos da tecnologia na saúde. Um novo estudo traz informações importantes sobre o tema, sugerindo que é melhor esperar antes de entregar um smartphone.
O estudo, publicado na revista Pediatrics, analisou mais de 10.500 crianças que participaram do Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente. Os pesquisadores constataram que crianças que receberam smartphones aos 12 anos ou mais apresentavam um risco maior de desenvolver problemas como depressão, obesidade e dificuldades para dormir em comparação com aquelas que ainda não tinham um aparelho.
Os dados indicam que quanto mais cedo as crianças ganham um smartphone, maior é o risco de obesidade e sono de qualidade inferior. Os pesquisadores compararam um grupo de crianças que ainda não tinham recebido o equipamento com aquelas que ganharam um smartphone um ano após completar 12 anos. Os resultados mostraram que as crianças que começaram a usar o celular apresentaram mais sintomas relacionados à saúde mental e uma pior qualidade de sono.
O Dr. Ran Barzilay, psiquiatra infantil e autor principal do estudo, destacou a importância de considerar os smartphones como uma ferramenta que pode impactar significativamente a saúde da criança. Ele sugere que os pais pensem cuidadosamente antes de permitir o uso do aparelho.
Embora o estudo não prove uma relação direta de causa e efeito entre a posse de um smartphone e esses problemas de saúde, os pesquisadores observam que as crianças que usam esses dispositivos podem passar menos tempo interagindo pessoalmente, se exercitando e dormindo — todos fatores essenciais para o bem-estar na adolescência. Esse período é crítico, pois mudanças na saúde mental ou na qualidade do sono podem ter efeitos duradouros.
É relevante frisar que o estudo não tem a intenção de criticar os pais que já deram smartphones aos filhos. Barzilay reconhece que a presença dos dispositivos é uma realidade na vida dos adolescentes.
Os dados mostram que a maioria das crianças no estudo ganhou seus primeiros smartphones por volta dos 11 anos, e praticamente todos os adolescentes nos Estados Unidos relatam ter acesso a um celular, conforme um estudo recente.
A professora Jacqueline Nesi, especialista em psiquiatria, ressalta que embora não seja possível afirmar que os smartphones causam danos diretos, os resultados do estudo podem servir como um alerta para que os pais considerem adiar essa entrega. Ela incentiva os responsáveis a confiarem em seus instintos e a estabelecer limites até que a criança esteja mais preparada para usar um smartphone.
Outro ponto importante é o impacto dos smartphones na qualidade do sono. O Dr. Jason Nagata, pediatra da Universidade da Califórnia, destacou que um estudo recente revelou que 63% das crianças de 11 e 12 anos têm dispositivos eletrônicos em seus quartos, e quase 17% foram acordadas por notificações em uma semana.
Como uma solução simples, ele recomenda que os pais retirem os celulares do quarto durante a noite, o que pode ajudar a mitigar alguns dos efeitos negativos à saúde associados ao uso dos smartphones. No entanto, ele reconhece que essa tarefa pode ser difícil para muitas famílias.
Barzilay, que é pai de três filhos, afirma que apenas um de seus filhos recebeu um smartphone antes dos 12 anos. Ele encoraja outros pais a refletirem sobre os riscos e a considerarem os dados disponíveis ao decidirem quando dar um celular aos filhos.
Em suma, o estudo traz à tona a importância da idade no uso de smartphones entre crianças e adolescentes, reforçando que esperar pode ser a melhor escolha para a saúde e o bem-estar das crianças.