Microplásticos e Saúde Cerebral: O Que Precisamos Saber
Recentemente, um estudo revelou que os microplásticos podem prejudicar o cérebro de várias formas, aumentando o risco de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. Esses pequenos fragmentos de plástico podem provocar inflamação e danos às células nervosas.
Hoje, mais de 57 milhões de pessoas no mundo vivem com demência, e as previsões mostram que o número de casos de Alzheimer e Parkinson deve crescer rapidamente. Que os microplásticos possam acelerar ou agravar essas doenças é uma preocupação importante para a saúde pública.
De acordo com pesquisas, os adultos podem ingerir cerca de 250 gramas de microplásticos por ano, o que equivale a uma quantidade suficiente para cobrir um prato de jantar. Essa ingestão ocorre através de diversos alimentos, como peixes contaminados, sal, alimentos processados, saquinhos de chá, tábuas de cortar plásticas, bebidas em garrafa e até verduras cultivadas em solo contaminado. Os microplásticos também vêm de fibras de tapetes, pó e roupas sintéticas.
As principais condições que envolvem microplásticos são o polietileno, polipropileno, poliestireno e o PET (polietileno tereftalato). Embora a maioria desses microplásticos seja eliminada do corpo, estudos indicam que alguns ficam acumulados nos órgãos, incluindo o cérebro.
Uma revisão sistemática, que foi uma colaboração internacional, pontuou cinco formas principais pelas quais os microplásticos podem causar danos ao cérebro. Esses mecanismos incluem ativação de células imunes, estresse oxidativo, prejuízo à barreira hematoencefálica, comprometimento das mitocôndrias e danos nas células nervosas.
Os microplásticos afetam a barreira hematoencefálica, que é como uma proteção do cérebro, deixando-a mais “furada”. Quando isso acontece, células imunes e moléculas inflamatórias são ativadas, causando ainda mais dano às células dessa barreira.
Quando o corpo detecta microplásticos, ele os trata como invasores, levando as células imunes do cérebro a atacá-los. Fatores estressantes como toxinas e poluentes ambientais também contribuem para o estresse oxidativo, prejudicando as células do cérebro.
O estresse oxidativo causado pelos microplásticos ocorre de duas maneiras principais: aumentando a presença de moléculas instáveis que podem danificar as células e enfraquecendo os sistemas antioxidantes do corpo, que normalmente controlam essas moléculas.
Além disso, os microplásticos atrapalham a produção de energia pelas mitocôndrias, que são as “fábricas de energia” das células. Isso resulta em diminuição do ATP (trifosfato de adenosina), que é o combustível necessário para o funcionamento celular. Essa falta de energia impacta a atividade neuronal e pode danificar as células do cérebro.
Os caminhos que esses microplásticos seguem se inter-relacionam, causando ainda mais danos no cérebro. Os pesquisadores também identificaram como os microplásticos podem contribuir especificamente para o Alzheimer, aumentando a acumulação de beta-amiloide e tau, e para o Parkinson, afetando a aglomeração de α-sinucleína e danificando neurônios dopaminérgicos.
Alexander Chi Wang Siu, aluno de Mestrado em Farmácia, está atualmente investigando como os microplásticos impactam a função das células cerebrais. Ele trabalha em colaboração com outros pesquisadores nessa área.
Pesquisas anteriores analisaram como os microplásticos são inalatórios e onde se depositam nos pulmões. Um dos pesquisadores, Dr. Keshav Raj Paudel, também estuda o impacto da inalação de microplásticos na saúde pulmonar.
Embora já existam indícios de que os microplásticos possam piorar doenças como Alzheimer e Parkinson, ainda é necessário mais estudo para confirmar uma ligação direta. Mesmo assim, os autores do estudo sugerem que devemos reduzir a exposição.
Para isso, o ideal é mudar alguns hábitos do dia a dia. Isso inclui evitar recipientes plásticos e tábuas de cortar de plástico, optar por fibras naturais em vez de sintéticas e consumir menos alimentos processados e embalados.
Os pesquisadores esperam que os resultados atuais ajudem na criação de políticas ambientais que reduzam a produção de plásticos, melhorem o gerenciamento de resíduos e minimizem os riscos à saúde pública a longo prazo.
Perguntas Frequentes:
Q: Como os microplásticos até a chegar ao cérebro podem afetar sua saúde?
A: Eles podem atravessar ou enfraquecer a barreira hematoencefálica, se acumular no tecido neural e desencadear processos inflamatórios e oxidativos que prejudicam as células do cérebro.
Q: Por que os microplásticos podem agravar o Alzheimer ou o Parkinson?
A: Seus efeitos coincidem com mecanismos conhecidos da doença, como a acumulação de beta-amiloide e tau no Alzheimer e a agregação de α-sinucleína e danos nos neurônios dopaminérgicos no Parkinson.
Q: Como posso diminuir a exposição a microplásticos?
A: Limitar o uso de recipientes plásticos, evitar tábuas de cortar plásticas, optar por fibras naturais, consumir menos alimentos processados e reduzir o uso de secadoras pode ajudar a diminuir a ingestão.
Em resumo, a presença de microplásticos no meio ambiente gera preocupações significativas sobre sua influência na saúde humana. O conhecimento sobre esses riscos está crescendo, e é crucial que continuemos a investigar e a adotar medidas para preservar nossa saúde e o meio ambiente.