24/03/2026
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ANS aprova cirurgia robótica para câncer de próstata no SUS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a inclusão da prostatectomia radical assistida por robô no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, uma decisão tomada na última sexta-feira (5). Essa será a primeira cirurgia robótica a contar com cobertura obrigatória pelos planos de saúde no país.

A prostatectomia radical é um procedimento que envolve a remoção completa da próstata e é considerado o principal tratamento para o câncer de próstata em estágios iniciais ou localmente avançados. A partir de abril de 2026, esse tratamento estará disponível para os beneficiários de planos de saúde. No Sistema Único de Saúde (SUS), essa tecnologia já foi aprovada desde agosto deste ano.

O presidente da ANS, Wadih Damous, enfatizou que essa medida é um avanço significativo na modernização da saúde suplementar, permitindo que mais pessoas tenham acesso a tecnologias que oferecem melhores resultados clínicos e qualidade de vida. Lenise Secchin, diretora de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, complementou que o sucesso da implementação da cirurgia robótica depende da garantia de qualidade, segurança e estrutura adequada para os pacientes.

A prostatectomia robótica é considerada a técnica mais avançada para o tratamento do câncer de próstata, pois possibilita uma maior precisão durante a cirurgia, reduzindo a quantidade de sangramento, o tempo de internação e melhorando os resultados funcionais em relação às abordagens tradicionais.

Este avanço foi baseado em um parecer positivo da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) no SUS, que avaliou as evidências científicas e a disponibilidade de infraestrutura: atualmente, existem 40 plataformas robóticas operando na rede pública. Com a aprovação no SUS, a ANS tem a obrigação de incluir a cirurgia no rol de procedimentos cobertos pelos planos de saúde.

Apesar da boa notícia, há desafios a serem enfrentados, especialmente em relação à disseminação dessa tecnologia. Neste momento, os equipamentos estão mais concentrados nas regiões Sul e Sudeste do país. A inclusão da cirurgia robótica deve estimular investimentos na saúde privada para expandir essa tecnologia em todo o território nacional.

A cirurgia robótica para o tratamento do câncer de próstata foi aprovada pelo FDA nos Estados Unidos e por autoridades regulatórias na Europa entre 2003 e 2004. No Brasil, o primeiro sistema robótico recebeu aprovação da Anvisa em 2008 e começou a ser utilizado em hospitais privados.

O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais diagnosticado entre os homens, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma. As projeções indicam que, até 2025, mais de 71 mil homens devem ser diagnosticados com a doença, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

A idade acima de 60 anos continua a ser o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença. Infelizmente, muitos homens nessa faixa etária podem não buscar atendimento médico adequado devido a barreiras culturais, falta de informação ou dificuldades no acesso ao sistema de saúde.

De acordo com especialistas, é fundamental trabalhar na conscientização sobre a importância da detecção precoce, na redução de estigmas em relação à saúde masculina e na ampliação do acesso a exames de rotina. Embora campanhas públicas e iniciativas de rastreamento tenham progredido, ainda há desafios para alcançar os segmentos mais vulneráveis da população masculina.

A expectativa é que, com um diagnóstico mais precoce e um aumento na adesão aos cuidados preventivos, o país consiga reverter a tendência de mortalidade associada ao câncer de próstata nos próximos anos.

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