Na última semana, uma reunião entre o governador da Califórnia, Gavin Newsom, e Robert F. Kennedy Jr., um proeminente defensor de políticas de saúde, trouxe à tona questões importantes sobre a saúde das mulheres, especialmente no que diz respeito à menopausa. Durante o encontro, Kennedy criticou as decisões de Newsom em relação a políticas que afetam a saúde feminina, especialmente depois que o governador vetou um projeto de lei que visava melhorar o acesso ao tratamento de menopausa.
O veto à Lei de Equidade no Cuidado da Menopausa (AB 432) foi um ponto central de críticas, com o ator Halle Berry, vencedora do Oscar, se dirigindo diretamente a Newsom durante sua participação no DealBook Summit promovido pelo New York Times. Ela expressou a frustração de muitas mulheres ao dizer que Newsom ignora as necessidades das mulheres, que representam metade da população, e que ações como essa o tornariam um candidato inadequado à presidência no futuro.
Nos últimos anos, a menopausa e os tratamentos relacionados tornaram-se tópicos mais debatidos, à medida que as mulheres começaram a exigir um melhor acesso a cuidados de saúde. A menopausa é uma fase natural na vida de todas as mulheres, caracterizada pela dificuldade em gerenciar sintomas que podem impactar significativamente a qualidade de vida. No entanto, muitos desses sintomas, embora tratáveis, acabam sendo negligenciados devido à falta de treinamento adequado dos profissionais de saúde sobre o tema ou à percepção negativa sobre os tratamentos.
Por anos, medicamentos de terapia de reposição hormonal (TRH) foram acompanhados por um aviso de “caixa preta”, o que desestimulou seu uso. Este aviso, que é o mais sério que a Food and Drug Administration (FDA) pode emitir, foi baseado em um grande estudo que sugeriu um aumento nos riscos de câncer e outras doenças. No entanto, estudos subsequentes mostraram que os benefícios da TRH superam os riscos e podem reduzir problemas de saúde como doenças cardíacas e declínio cognitivo. Recentemente, a FDA removeu essas advertências para muitos desses medicamentos, o que pode facilitar o acesso das mulheres ao tratamento.
O projeto de lei vetado por Newsom visava garantir que planos de saúde cobrisse tratamentos de menopausa aprovados e incentivasse médicos a se especializarem na área. Entretanto, Newsom se opôs a partes da legislação que dificultariam a gestão de custos por parte das seguradoras. A gestão de utilização, uma prática usada pelas seguradoras para determinar quais tratamentos são necessários, é frequentemente criticada por limitar o acesso a cuidados adequados.
A deputada Rebecca Bauer-Kahan, autora do projeto de lei, afirmou que a cobertura ideal para tratamentos da menopausa é vital. Ela destacou que, embora as mulheres possam sobreviver sem tratamento, o que é considerado “medicamente necessário” pode ser muito subjetivo e varia de mulher para mulher. O veto de Newsom tem gerado preocupação sobre a atenção que as mulheres receberão em relação à menopausa.
Em sua mensagem de veto, o governador argumentou que a proibição da gestão de utilização tornaria difícil para os planos de saúde garantirem cuidados adequados. No entanto, muitos acreditam que cada caso de menopausa é único e que as mulheres devem ter a liberdade de trabalhar em conjunto com seus médicos.
Kennedy, em suas declarações, também destacou a necessidade de reformar a autorização prévia exigida por planos de saúde, o que decididamente afeta o acesso a tratamentos. A proposta de reforma promete simplificar o processo e eliminar esse tipo de autorização para muitos tratamentos até 2026.
Futuras promessas de Newsom indicam que ele planeja abordar a questão da cobertura de menopausa em sua proposta orçamentária de janeiro, mas detalhes ainda não foram divulgados. Este contexto destaca uma batalha contínua por melhores condições de saúde para mulheres e a importância da legislação para garantir que suas necessidades sejam atendidas de forma adequada.
A próxima proposta orçamentária do governador pode ser uma oportunidade crucial para mudar essa situação, e muitos estarão observando de perto os desenvolvimentos nesta área.