O custo de não agir em relação à mudança climática já ultrapassa trilhões de dólares anuais e continua crescendo. Essa informação faz parte de um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, apresentado nesta terça-feira em Nairóbi, durante a sétima Assembleia Ambiental da ONU.
De acordo com o estudo, se o mundo continuar na mesma direção, a mudança climática pode levar a uma redução de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) global até 2050, e de 20% até o final do século. Em contrapartida, investir em ações para proteger o clima, a natureza e o solo pode adicionar trilhões ao PIB global. Além disso, isso pode evitar milhões de mortes e ajudar centenas de milhões de pessoas a saírem da pobreza e da fome.
A diretora executiva do programa, Inger Andersen, ressaltou que o mundo enfrenta uma escolha crítica: manter o curso atual ou mudar a trajetória para garantir um planeta saudável. Ela alertou que a inação afetará mais severamente as populações mais pobres, que sofrerão as consequências das mudanças climáticas sem ajuda.
Os dados mais recentes indicam que as emissões de gases que provocam o aquecimento global bateram recordes em 2025, que já se configura como um dos anos mais quentes registráveis, ao lado de 2023.
### Custos da Inação
O relatório, que contou com a colaboração de 287 cientistas de 82 países, apresenta um plano para a ação global necessária para enfrentar os desafios climáticos. Investir em uma agricultura sustentável, restaurar ecossistemas e adotar energia limpa são algumas das ações sugeridas. Essas medidas não só possibilitariam a redução da poluição, mas também garantiriam um futuro mais saudável, tanto econômica quanto ambientalmente.
Os cientistas estimam que, se mudanças forem implementadas, o investimento global de cerca de 8 trilhões de dólares por ano seria essencial para restaurar a biodiversidade e alcançar emissões líquidas zero até 2050. Esse investimento, embora elevado, representa uma fração dos custos mais altos associados à inação, que, nos últimos 20 anos, geraram prejuízos estimados em 143 bilhões de dólares devido a desastres climáticos.
### Situação Atual e Progresso
A publicação do relatório ocorre em um momento em que o multilateralismo enfrenta desafios. Apesar disso, a diretora executiva afirmou que ainda há motivos para otimismo. Embora os países não estejam fazendo progressos rápidos o suficiente para conter as emissões, alguns avanços foram observados desde a assinatura do Acordo de Paris em 2015, que visa limitar o aumento da temperatura global.
No entanto, Andersen expressou frustração em relação à Conferência do Clima da ONU em Belém, que não conseguiu chegar a um consenso sobre a transição para a eliminação do uso de combustíveis fósseis. Ela espera que a conferência programada para abril, que busca acelerar a descontinuação desses combustíveis, traga mais resultados positivos.
### Futuro das Energias Renováveis
Olhando para o futuro, Andersen destacou a importância do crescimento das energias renováveis, que agora estão se tornando mais competitivas. Ela citou o exemplo do Texas nos Estados Unidos, onde 40% da eletricidade já vem de fontes renováveis, apesar de o estado ser um grande produtor de petróleo.
Andersen acredita que o avanço das energias renováveis representa uma tendência irreversível, motivada pela competitividade de preços. Ao mesmo tempo, expressou confiança em que a mobilização de diferentes setores da sociedade – incluindo jovens, empresas e líderes religiosos – pode impulsionar a ação climática necessária.
Ela finalizou enfatizando a importância de se pensar nas futuras gerações ao votar, sugerindo que as pessoas considerem os efeitos de suas escolhas políticas nas vidas de seus filhos e netos.