04/02/2026
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Perda de mielina compromete sinais sensoriais do cérebro

O Impacto do Perda de Myelin no Cérebro

Resumo: Novas pesquisas mostram que até mesmo uma pequena perda de myelin—que é a camada protetora ao redor dos neurônios—pode afetar muito como o cérebro envia e entende as informações sensoriais. Estudando circuitos corticotalâmicos em camundongos, cientistas descobriram que quando a parte inicial do myelin, que fica mais perto do corpo celular do neurônio, se degrada, os sinais nervosos se tornam mais lentos e perdem a crucial “primeira onda”, mudando assim como as informações sensoriais são codificadas.

Esse sinal faltante muda como o córtex e o tálamo se comunicam, e o cérebro acaba tendo dificuldade em identificar quando ou o que os bigodes estão tocando. Os resultados ajudam a entender por que lesões na substância cinza, em condições como a esclerose múltipla, levam a desorientações, lapsos de memória e dificuldade em navegar no dia a dia.

Fatos Principais:

  • Perda Crítica de Myelin: O dano próximo ao corpo celular do neurônio afetou a primeira “segmento de código” necessário para a transmissão correta dos sinais.

  • Comunicação Quebrada: Os circuitos corticotalâmicos continuaram enviando sinais, mas com precisão reduzida, prejudicando a percepção sensorial.

  • Outras Lesões em Cinza: O estudo explica por que lesões na substância cinza causam sintomas cognitivos severos em condições como a esclerose múltipla.

O que é myelin?

As células nervosas, conhecidas como neurônios, têm uma camada protetora chamada myelin. Essa camada ajuda os sinais a se moverem rapidamente entre as células. Mas o que acontece quando essa camada desaparece em células que precisam enviar sinais por longas distâncias?

O grupo de pesquisa liderado por Maarten Kole fez essa pergunta usando camundongos. Eles se concentraram nos nervos que vão da camada externa do cérebro até o tálamo, que funciona como uma estação de troca de informações no meio do cérebro.

Comunicação Sensorial

Processar informações sensoriais requer que o córtex cerebral e o tálamo se comuniquem constantemente. Isso acontece, por exemplo, quando os camundongos exploram o ambiente com os bigodes. Essa troca é chamada de loop corticotalâmico.

Esses laços ajudam também os humanos a processar informações sensoriais e realizar diversas tarefas cognitivas. Na esclerose múltipla, o dano ao myelin pode causar problemas cognitivos, como esquecer nomes conhecidos.

As células nervosas mais importantes para a troca de informações nesses laços estão localizadas na quinta camada do córtex cerebral.

O Papel do Myelin

De acordo com Maarten Kole, líder do grupo no Instituto Neerlandês de Neurociência, essas células são bem compreendidas. No entanto, não se sabia qual papel o myelin desempenha na transferência de informações para o tálamo.

Degradação Direcionada do Myelin

Para entender melhor essa função, os pesquisadores usaram uma substância tóxica que degrada o myelin. Eles esperavam que isso fizesse com que toda a fibra nervosa perdesse myelin. Mas, na verdade, a degradação aconteceu apenas nas partes mais próximas do corpo celular.

Esse método imita como a esclerose múltipla se desenvolve em áreas onde ficam os corpos celulares, as chamadas lesões de substância cinza. Com essas lesões, os problemas cognitivos costumam ser mais intensos e o prognóstico é pior.

Essas pessoas com esclerose têm dificuldade para se orientar, problemas ao dirigir e não conseguem lembrar nomes de pessoas próximas.

O que falta no Código?

Os cientistas detectoram que a perda de myelin resulta em uma transmissão de sinal mais lenta e menos consistente para o tálamo. Kole explica que eles já sabiam que o myelin era essencial para uma rápida transmissão de sinais, mas o que foi novidade foi perceber que perderam completamente a primeira onda de sinais.

“Pode-se comparar isso a um código de barras no supermercado: o leitor só reconhece um produto se você escanear o código completo. Se faltar a primeira parte do myelin, é como se você pulasse a primeira faixa preta do código. Com isso, não consegue escanear o produto certo”, completa Kole.

Ambiente Inidentificável

Qual é o impacto exato desse código faltante? Quando os bigodes de um camundongo tocam um objeto, as células do córtex cerebral amplificam o sinal do tálamo. Essa amplificação ajuda o camundongo a determinar com mais precisão o que e onde está tocando algo.

Foi observado que essa amplificação ainda acontece, mas com menor precisão. Por causa disso, o loop de comunicação entre essas áreas do cérebro se desestabiliza, fazendo com que o cérebro perca o controle. O camundongo pode sentir o que tocou, mas não consegue identificar exatamente o que é ou quando aconteceu.

Importância para a Ciência

Entender a anatomia e o funcionamento dessas células nervosas específicas é crucial para pesquisas futuras. Kole menciona que já sabiam que essas células estão envoltas em myelin de uma maneira muito especial. É uma das poucas células que apresenta uma isolação tão específica em sua parte inicial. Agora, entendem melhor o porquê disso.

Esse conhecimento é fundamental para compreender os sintomas que surgem com lesões na substância cinza. Sabemos que o cérebro está sempre gerando códigos. Quando o myelin nessa região é perdido, esses códigos mudam, e a comunicação no cérebro é prejudicada. Isso leva a problemas cognitivos, como dificuldades de orientação.

Futuro das Pesquisas

A equipe de Kole planeja investigar como poderia haver recuperação do dano ao myelin nessa área. Assim, no futuro, os sintomas severos associados às lesões de substância cinza na esclerose múltipla podem ser amenizados.

Perguntas Comuns Respondidas:

P: Por que perder myelin perto do início do neurônio é tão importante?
R: Esse segmento carrega a primeira “faixa” do código de informações do cérebro. Sem ele, o tálamo recebe sinais incompletos e não consegue interpretar as entradas corretamente.

P: Como a perda de myelin afeta a percepção sensorial no dia a dia?
R: Os sinais chegam mais devagar e de forma menos confiável. Dessa forma, o cérebro sabe que algo aconteceu, mas não consegue determinar o que ou quando, levando a confusões sensoriais.

P: Por que isso é relevante para condições como a esclerose múltipla?
R: Lesões na substância cinza frequentemente removem myelin exatamente nesse local, explicando por que pacientes têm dificuldades de orientação, reconhecimento e outras tarefas cognitivas complexas.

Agora, fica claro que a pesquisa sobre o papel do myelin é fundamental para a compreensão das funções cerebrais e dos problemas associados a doenças neurológicas.

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