08/02/2026
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Planos de saúde registram lucro de R$ 4,8 bi no 3º tri de 2025

As operadoras de planos de saúde no país registraram um lucro líquido de R$ 4,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025, conforme dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Esse montante é o maior para esse período desde 2018, e representa um aumento de 64,4% em relação ao mesmo trimestre de 2024, quando o lucro foi de R$ 2,9 bilhões.

O lucro líquido reflete a soma dos resultados operacionais, financeiros e patrimoniais, além de considerar o impacto de impostos e outras participações. No que diz respeito ao resultado operacional, que é calculado a partir da diferença entre receitas e despesas das atividades de saúde, as operadoras alcançaram um lucro de R$ 2 bilhões, o maior desde 2020, quando o valor foi de R$ 4,6 bilhões durante a pandemia.

Esse resultado operacional considera as receitas provenientes das mensalidades, descontadas as despesas assistenciais, administrativas e de comercialização. Já o resultado financeiro, que inclui os ganhos com aplicações financeiras, somou R$ 4,2 bilhões, também marcando um recorde desde 2018.

Apesar do cenário positivo para as operadoras, o diretor de normas e habilitação da ANS, Jorge Aquino, alertou que cerca de 7,5 milhões de beneficiários enfrentam dificuldades. Eles estão em operadoras que estão sob regimes especiais de acompanhamento econômico-financeiro, o que inclui direções fiscais e programas de adequação. Essas situações indicam uma atenção necessária ao bem-estar desses consumidores.

No acumulado do ano, o lucro líquido dos planos de saúde atingiu R$ 17,2 bilhões, superando a máxima anterior de R$ 15 bilhões, registrada nos primeiros nove meses de 2020. O lucro operacional no ano totalizou R$ 8,3 bilhões, um aumento significativo em relação aos R$ 3 bilhões do mesmo período de 2024. O lucro financeiro acumulado, por sua vez, chegou a R$ 11 bilhões, atingindo um patamar inédito.

O setor de planos de saúde tem enfrentado diversas críticas de consumidores, relacionadas a problemas como cancelamento de contratos e reajustes de mensalidades. As operadoras, por sua vez, argumentam que estão lidando com o aumento dos custos dos serviços, principalmente devido à incorporação de novas tecnologias e ao envelhecimento da população, que eleva a demanda por atendimentos.

Em entrevista em outubro, o novo diretor-presidente da ANS, Wadih Damous, expressou interesse em entender a disparidade entre os lucros do setor e as queixas constantes dos consumidores. Ele sugeriu que a regulação dos planos deve ser uma abordagem em “mão dupla”, ou seja, buscando o equilíbrio financeiro das empresas enquanto também atenta às necessidades dos usuários.

Adicionalmente, considerando tanto os planos médico-hospitalares quanto os odontológicos e as empresas que administram benefícios, o lucro líquido totalizou R$ 5 bilhões no terceiro trimestre, e R$ 17,9 bilhões no acumulado do ano até setembro de 2025. Esses valores também representam os maiores registrados para esses períodos.

Conforme a ANS, as operadoras de planos de saúde e as administradoras de benefícios acumularam receitas de R$ 287,3 bilhões, resultando em um lucro líquido acumulado de R$ 17,9 bilhões entre janeiro e setembro de 2025. Isso significa que aproximadamente 6,2% das receitas totais do setor se converteram em lucro, o que equivale a cerca de R$ 6,20 para cada R$ 100 em receitas. As administradoras de benefícios atuam como intermediárias entre as operadoras e os contratantes dos serviços, mas não são responsáveis pela operação direta dos planos.

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