07/02/2026
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Planos de saúde têm lucros altos e sinistralidade em queda

Entre janeiro e setembro deste ano, as operadoras de planos de saúde obtiveram um lucro operacional de R$ 9,3 bilhões, um aumento aproximado de 140% em comparação ao mesmo período do ano passado. Este é o maior lucro operacional registrado nos últimos cinco anos. Ao mesmo tempo, a sinistralidade, que indica quanto é gasto com os serviços pelos usuários em relação ao que é arrecadado com as mensalidades, caiu para 80,8%, representando uma queda em relação aos 88,6% de 2022. Essa tendência sugere que os reajustes dos planos de saúde podem ser menores em 2026.

A sinistralidade, que havia subido devido ao aumento na utilização dos serviços após a pandemia, voltou a um patamar mais controlado nos primeiros nove meses deste ano. Entre as operadoras de grande porte, a queda se destacou, mostrando uma diferença de 2,6 pontos percentuais em relação ao ano passado. Essa melhora no índice deve influenciar o ajuste médio dos planos de saúde coletivos, que pode ficar em um dígito em 2026, segundo especialistas do setor.

Os planos individuais têm seus reajustes limitados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), enquanto os contratos coletivos são negociados diretamente entre operadoras e empresas. Para as pequenas e médias empresas, com até 29 beneficiários, o reajuste é determinado por um “pool de risco”, onde um mesmo percentual é aplicado a todos os contratos desse tipo na operadora.

O lucro líquido total das operadoras atingiu R$ 17,9 bilhões nos primeiros nove meses deste ano, o maior já registrado, superando o recorde de R$ 15,9 bilhões de 2020. Esse resultado inclui também os ganhos financeiros das empresas, que possuem reservas significativas.

É importante destacar que, apesar da recuperação do setor, essa não é uniforme. Atualmente, cerca de 7,2 milhões de pessoas estão vinculadas a operadoras enfrentando problemas financeiros. Existem 49 operadoras em programas de adequação econômica, 26 sob direção fiscal e 41 em processo de cancelamento. Isso levou a ANS a considerar a necessidade de um olhar mais atento para tais empresas, visto que há indícios de uma gestão inadequada no setor.

Embora alguns líderes do setor apontem uma recuperação significativa e lucros expressivos, eles reconhecem que há muitas operadoras menores enfrentando sérios desafios financeiros. Essas empresas são essenciais para garantir acesso aos serviços de saúde.

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) também mencionou que os resultados do setor estão profundamente ligados ao cenário econômico geral, com a manutenção das taxas de juros elevadas. Além disso, as operadoras ainda enfrentam pressões por aumento de custos, inclusão de novas tecnologias, maior demanda devido ao envelhecimento populacional e um incremento na judicialização em saúde. Esses fatores continuam a impactar as despesas das empresas, reforçando a necessidade de um ambiente regulatório estável e baseado em evidências, que promova um diálogo técnico eficaz.

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