25/02/2026
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Novo canteiro em Pompéia revela segredos do concreto romano

O Segredo do Concreto Romano

O concreto da Roma Antiga era conhecido por sua resistência. Muitos edifícios, pontes e aquedutos construídos pelos romanos ainda estão de pé hoje. Recentemente, um achado em Pompeia ajudou cientistas a entender melhor por que o concreto romano era tão durável.

Em estudos anteriores, foi levantada a hipótese de que os romanos usavam um método chamado “mistura quente” na fabricação do concreto. Essa técnica permitia que o material se “autocurasse” quando a água causava fissuras. Porém, esse processo era bem diferente do que o arquiteto romano Vitruvius descreveu em seu livro “De architectura”, cerca de cem anos antes da erupção do vulcão Vesúvio.

A descoberta em Pompeia, uma cidade preservada pela erupção, confirmou a teoria da mistura quente como o método de construção utilizado pelos romanos no primeiro século da era comum.

Por que o Concreto Romano Era Tão Inovador

Um estudo recente sugere que os romanos utilizavam calcário seco aquecido para criar uma cal altamente reativa. Essa cal, quando misturada com cinzas vulcânicas e água, gerava uma reação química que produzia calor e conferia propriedades de autocura ao concreto.

Esse método de mistura quente resultava em fragmentos chamados “clastos de cal” dentro do concreto. Se o material apresentasse uma fissura, a água penetrava e dissolvia esses clastos. O cálcio liberado se recristalizava, selando assim a fissura.

Os pesquisadores analisaram pilhas de ingredientes de concreto seco encontrados em um antigo canteiro de obras em Pompeia, o que corroborou a eficácia do processo.

Um Achado Arqueológico Valioso

“Fomos agraciados ao conseguir abrir esta cápsula do tempo e encontrar materiais prontos para serem usados na construção”, afirmou Admir Masic, autor do estudo. “Com este trabalho, buscamos definir claramente essa tecnologia e associá-la ao período romano do ano 79 da era comum.”

Após examinar os ingredientes e várias paredes que estavam sendo construídas, os cientistas puderam confirmar que a metodologia proposta em seus estudos de concreto romano em 2023 era correta.

Diferenças Entre a Mistura Quente e os Registros Históricos

Embora o canteiro de obras fornecesse evidências sólidas da mistura quente, esse método não seguia a descrição de Vitruvius. No século I a.C., ele mencionou que o concreto era feito de cal apagada — uma cal hidratada e aquecida. Os pesquisadores acreditam que a técnica de Vitruvius estava desatualizada ou mal interpretada no momento em que a construção começou em Pompeia, quase cem anos depois.

Os cientistas esperam que essa pesquisa ajude trabalhadores de restauração na antiga cidade a utilizarem o método de mistura quente para reparos que sejam fiéis ao período. Além disso, desejam que esse aprendizado possa tornar o concreto moderno mais durável e resistente.

Rumo ao Futuro

Masic destacou que “o processo pelo qual os poros nos ingredientes vulcânicos podem ser preenchidos por recristalização é um sonho que queremos traduzir nos nossos materiais modernos”. A ideia é desenvolver materiais que se regenerem sozinhos.

Portanto, a descoberta em Pompeia não apenas nos dá uma nova visão sobre as técnicas de construção romanas, mas também abre novas possibilidades para a construção moderna. A aplicação desse conhecimento pode significar um avanço significativo na durabilidade dos materiais de hoje, tornando-os mais eficazes e sustentáveis.

Conclusão

A pesquisa sobre o concreto romano e seu processo de fabricação continuará a gerar debates e inovações. O conhecimento adquirido a partir de Pompeia pode não apenas restaurar antigas estruturas, mas também revolucionar a maneira como construímos no futuro.

E assim, o legado dos romanos continua a inspirar novas gerações, mostrando que, mesmo com o passar do tempo, a engenharia e a arquitetura ainda podem aprender muito com os métodos do passado.

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