09/02/2026
@»Medicina Geriátrica Notícias»Crise climática: a maior emergência de saúde do século

Crise climática: a maior emergência de saúde do século

Crise Climática e Saúde

O calor, muitas vezes invisível, tem se tornado um desafio palpável para a população. Em diversas comunidades, é comum ver os moradores em busca desesperada de sombra, enquanto muitos lutam contra a falta de água potável. As ondas de calor se intensificam, levando a esperas longas em hospitais, que frequentemente não têm capacidade suficiente para atender a demanda crescente.

As mudanças climáticas afetam a saúde de várias maneiras. Elas intensificam eventos climáticos extremos, aumentam a temperatura e a poluição do ar, além de favorecer a proliferação de pandemias e surtos de doenças. A insegurança alimentar, que causa desnutrição, também se agrava, gerando mais ansiedade e estresse na população.

Comemorado em 12 de dezembro, o Dia Internacional da Cobertura Universal de Saúde, estabelecido em 2017, destaca a importância do acesso à saúde. No entanto, a questão vai além do simples acesso: é necessário avaliar como o sistema de saúde está sendo pressionado em um cenário de aquecimento global e clima em transformação. A emergência climática não só derrete geleiras, mas também esgota a capacidade dos hospitais, aumentando o surgimento de doenças.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou a crise climática como a maior ameaça à saúde humana neste século. Mais de 3,5 bilhões de pessoas vivem em regiões vulneráveis a essas mudanças. A cada ano, eventos climáticos extremos resultam em centenas de milhares de mortes devido ao calor, poluição, desnutrição e doenças. Para garantir a cobertura universal de saúde até 2025, é urgente integrar a situação climática nas discussões de saúde.

Aumento da Temperatura e suas Consequências

Um relatório de 2024 trouxe dados alarmantes: houve um aumento de mais de 50% nos dias com risco de calor extremo nas últimas décadas. A exposição a incêndios florestais dobrou desde 2001, e a mortalidade relacionada ao calor atingiu níveis altíssimos em 2022 e 2023, com expectativas de agravamento. Eventos climáticos extremas, como tempestades e inundações, causaram mais de 2 milhões de mortes entre 1970 e 2021, afetando em maior parte países de baixa e média renda.

O calor extremo, subestimado como risco, já tirou quase 50 mil vidas na Europa em 2023. Se o ritmo atual continuar, estima-se que até 2100, cerca de 2 bilhões de pessoas estarão expostas a calor intenso, transformando cidades em ilhas de calor perigosas. A poluição do ar também agrava essa situação, causando mais de 4 milhões de mortes prematuras por ano devido a partículas finas que se tornam ainda mais prevalentes com as mudanças climáticas.

Além disso, doenças transmitidas por insetos, como dengue, chikungunya e zika, estão se espalhando para áreas onde antes eram raras. A América Latina registrou um aumento significativo de casos de dengue em 2023 e 2024 devido às altas temperaturas, que aceleram a reprodução dos mosquitos.

Desafios para os Sistemas de Saúde

Os sistemas de saúde já enfrentam muitos desafios, operando frequentemente em sua capacidade máxima. As mudanças climáticas estão aumentando essa pressão. Ondas de calor superlotam serviços de emergência, enquanto tempestades causam inundações em hospitais, destruindo a infraestrutura e isolando comunidades. Além disso, apagões afetam diretamente serviços essenciais, como salas de cirurgia e unidades de terapia intensiva.

A falta de pessoal, o desgaste dos profissionais da saúde e a escassez de recursos complicam ainda mais a situação. Durante crises, os serviços de saúde precisam lidar tanto com emergências quanto com a continuidade de atendimentos para doenças crônicas e vacinas, além de outras necessidades básicas.

Em áreas de alta vulnerabilidade, como comunidades rurais e favelas, o impacto das mudanças climáticas é mais severo. Uma única inundação pode destruir o único centro de saúde da região, e ondas de calor podem esgotar os suprimentos de medicamentos essenciais, enquanto secas comprometem a segurança alimentar.

Cobertura de Saúde Universal e Resiliência Climática

Garantir a cobertura universal de saúde vai além de simplesmente proporcionar acesso a tratamentos. É preciso que os sistemas de saúde sejam resilientes, capazes de lidar com pressão e adaptar-se a eventos extremos, protegendo toda a população, principalmente os mais vulneráveis.

As mudanças climáticas exigem uma reestruturação na forma como os serviços de saúde são organizados. É necessário desenvolver hospitais que resistam a desastres naturais, criar planos de energia reserva, sistemas de alerta precoce para ondas de calor e promover a vigilância epidemiológica. Em todo o mundo, há iniciativas nesse sentido: a França e o Japão implementaram protocolos para calor extremo; Bangladesh e Filipinas melhoraram os sistemas de monitoramento; e cidades como Medellín, Toronto e Melbourne reestruturaram seus espaços urbanos para mitigar o calor e melhorar a qualidade do ar.

Apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito. É preciso um forte compromisso político e social para enfrentar esses desafios. Embora não possamos evitar todos os desastres, podemos nos preparar mejor, fortalecer os sistemas de saúde e construir comunidades mais resilientes. A saúde é um direito e deve ser garantida a todos, sem exceções.

Sobre o autor: suporte

Ver todos os posts →