O prefeito de Val di Zoldo, Camillo De Pellegrin, fez críticas contundentes em relação a uma nova proposta que permite que cidadãos italianos residentes no exterior, especialmente aqueles fora da União Europeia, tenham acesso ao sistema de saúde pública da Itália mediante o pagamento de uma taxa anual. Segundo ele, essa medida pode sobrecarregar um sistema de saúde que já enfrenta dificuldades.
De Pellegrin destacou que a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados estabelece que os italianos registrados no AIRE (registro de italianos no exterior) poderão ter acesso ao Serviço Sanitário Nacional, pagando uma taxa de 2.000 euros por ano. O prefeito questiona quem estaria disposto a arcar com esse valor, considerando que, na sua visão, não se trata de pessoas saudáveis interessadas em uma viagem normal à Itália. Em sua opinião, aqueles que podem se inscrever são pessoas com doenças graves que buscam tratamentos que não podem obter em seus países de origem.
Ele também alertou sobre as consequências que essa situação pode trazer. De Pellegrin levantou a preocupação de que o sistema de saúde italiano poderia acabar se tornando um destino para o chamado “turismo de saúde”, onde pessoas de fora buscam tratamentos complexos e caros. Ele se perguntou se a arrecadação gerada pela proposta seria suficiente para cobrir as despesas relacionadas a este tipo de assistência, que muitas vezes envolve longas internações e procedimentos complicados.
Na província de Belluno, há atualmente mais de 63 mil cidadãos registrados no AIRE, sendo a maioria deles (77%) vivendo fora da União Europeia. O prefeito criticou ainda a regulamentação vigente sobre cidadania por descendência, afirmando que isso poderia levar a um aumento no número de pessoas que nunca viveram na Itália, mas que conseguirão a cidadania.
A proposta de acesso ao sistema de saúde foi apresentada por um deputado que representa a comunidade italiana no exterior. O prefeito expressou respeito pelo deputado Andrea Di Giuseppe, mas levantou a preocupação de que a reforma não esteja plenamente alinhada com as necessidades dos “verdadeiros” compatriotas.
Por fim, De Pellegrin mencionou a lei Tajani, que em julho deste ano impôs restrições ao reconhecimento da cidadania italiana por descendência, e alertou sobre a possibilidade de a nova legislação ser questionada na Corte Constitucional. Ele expressou receio de que, se a Corte interferir, poderia resultar em um retrocesso nessa questão, o que ele considera problemático.
De Pellegrin finalizou suas declarações enfatizando que o reconhecimento da cidadania italiana não se resume apenas a uma valorização cultural ou a uma homenagem aos emigrantes do passado, mas envolve uma série de benefícios que podem impactar o sistema de saúde e a sociedade como um todo. Ele frisou que, uma vez concedida, a cidadania é um direito que não pode ser revertido.