09/02/2026
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Ministério da saúde se une a combate à resistência antimicrobiana

O Ministério da Saúde, em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), promoveu uma oficina em Brasília para adaptar a lista de patógenos bacterianos prioritários da OMS ao contexto do país. O evento contou com a participação de especialistas, pesquisadores, representantes da Anvisa e técnicos que discutiram estratégias de vigilância, prevenção e controle da resistência antimicrobiana.

O principal objetivo da oficina foi analisar quais patógenos devem ser priorizados, levando em consideração a realidade epidemiológica do país, as capacidades laboratoriais disponíveis e as iniciativas já em andamento pelo Ministério da Saúde. Com isso, busca-se definir critérios nacionais que poderão servir de padrão para outros países.

Durante o encontro, a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, enfatizou a importância dessa iniciativa. Ela destacou que a resistência antimicrobiana é uma das mais graves ameaças à saúde mundial. A adaptação da lista de patógenos ao cenário brasileiro é crucial para que as ações sejam baseadas em evidências e respondam às necessidades específicas do país.

A Anvisa também desempenha um papel fundamental nesse processo, oferecendo informações sobre regulação, vigilância e dados sobre infecções relacionadas a cuidados de saúde. Essas informações são essenciais para entender como os patógenos se comportam no território nacional.

Mariângela Simão reafirmou o compromisso do Ministério da Saúde em fortalecer políticas de combate à resistência antimicrobiana. Segundo ela, a expectativa é que a colaboração entre as diferentes instituições resulte em ações eficazes que protejam a saúde da população.

A resistência antimicrobiana (RAM) se refere à capacidade de microrganismos resistirem aos efeitos de antibióticos, antifúngicos e antivirais. Este fenômeno se tornou um desafio global significativo, especialmente em função do uso inadequado de antibióticos, falta de higiene, problemas de saneamento, mudanças climáticas e descarte inadequado de resíduos. A resistência afeta não só a saúde humana, mas também a saúde animal e ambiental, refletindo a abordagem “Uma Só Saúde”.

É importante esclarecer a diferença entre antimicrobianos e antibióticos: enquanto os antimicrobianos atacam diversos tipos de microrganismos, os antibióticos são específicos para bactérias. O uso incorreto de antibióticos, especialmente em infecções virais, contribui para o surgimento de linhagens resistentes.

Os impactos da resistência antimicrobiana são alarmantes. Estima-se que a RAM cause cerca de 1,27 milhão de mortes por ano e contribua para quase 5 milhões de óbitos adicionais. Caso não haja mudanças, esse número pode chegar a 39 milhões até 2050. No Brasil, aproximadamente 33,2 mil mortes anuais estão diretamente relacionadas a esse problema.

Além das consequências para a saúde, como infecções mais difíceis de tratar e complicações durante procedimentos médicos, a resistência antimicrobiana também pode afetar significativamente a economia. As perdas econômicas projetadas podem alcançar até US$ 3,4 trilhões anuais no PIB global até 2030.

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