25/03/2026
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Aumento do uso de vape e cigarros eletrônicos entre jovens no Nordeste

Trabalhadores fumantes são mais propensos a faltar ao trabalho devido a problemas de saúde quando comparados aos não fumantes. Estudos apontam que a taxa de absenteísmo entre fumantes pode ser de 30% a 33% maior, resultando em cerca de três dias a mais de ausência por ano. Esses dados foram obtidos em pesquisas nacionais e internacionais, incluindo uma meta-análise no campo da saúde ocupacional.

Esse tema se torna ainda mais relevante em um momento em que o perfil do tabagismo no país está mudando. Após anos de diminuição constante, o Ministério da Saúde aponta para um aumento no número de fumantes, principalmente entre jovens. Essa tendência coincide com a crescente popularização dos cigarros eletrônicos e vapes, um fenômeno que preocupa especialistas.

Embora a venda de cigarros eletrônicos seja proibida no país desde 2009, sua comercialização continua de forma ampla, especialmente entre os jovens. O médico pneumologista Ernando Sousa observa que o marketing digital, os sabores atraentes e a associação com um status social elevado têm contribuído para essa situação. Historicamente, o país é conhecido por implementar políticas robustas de controle do tabagismo, mas a ascensão dos dispositivos eletrônicos traz novos desafios.

Dados do Instituto Nacional do Câncer e do Ministério da Saúde revelam que cerca de 8,7% dos adolescentes entre 14 e 17 anos afirmaram ter usado cigarros eletrônicos no último ano, superando a taxa de uso de cigarros convencionais nessa faixa etária. Entre jovens adultos de 18 a 24 anos, a prevalência de uso de vapes é de aproximadamente 6,1%. Isso indica que os cigarros eletrônicos se tornaram uma porta de entrada para a nicotina entre as gerações mais jovens.

Os efeitos do uso desses dispositivos já estão começando a se manifestar. O especialista destaca que diversos estudos associam os cigarros eletrônicos a problemas como dependência de nicotina, inflamação nas vias aéreas, agravamento da asma, riscos cardiovasculares e danos pulmonares a médio e longo prazo.

A situação é preocupante, especialmente no Nordeste. Um estudo realizado com universitários da Universidade de Fortaleza indicou que 24% dos estudantes relataram o uso de cigarros eletrônicos, muitos utilizando-os de forma regular. Entre esses, uma parcela significativa foi apresentada ao consumo de nicotina por meio de vapes, sem ter utilizado cigarro convencional anteriormente.

Ernando Sousa ressalta que essa situação representa uma mudança significativa nos padrões de controle do tabagismo no país. Ele enfatiza a importância de reconhecer os cigarros eletrônicos como um problema de saúde pública. Para isso, é essencial promover o debate sobre o assunto no ambiente escolar, onde muitos jovens têm seu primeiro contato com esses produtos.

Sousa defende que é necessário conscientizar desde cedo os estudantes sobre os perigos do uso desses dispositivos, capacitar os profissionais da educação e preparar os profissionais de saúde para lidar com um público mais jovem que fuma. Essa adaptação deve incluir mudanças na abordagem e nas técnicas de persuasão utilizadas nas campanhas de saúde.

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