Trabalhadores que fumam têm maiores chances de faltar ao trabalho devido a problemas de saúde em comparação com aqueles que não fumam. Estudos recentes mostram que fumantes têm de 30% a 33% mais risco de absenteísmo, acumulando cerca de três dias a mais de faltas por ano. Essas informações vêm de uma meta-análise em saúde ocupacional publicada em uma revista especializada.
Esse alerta surge em um momento de transformação no perfil do uso de tabaco no país. Após anos de redução do número de fumantes, o Ministério da Saúde indicou um aumento na quantidade de fumantes, principalmente entre os jovens. A popularidade dos cigarros eletrônicos e vapes está preocupando especialistas.
### Venda Proibida, Consumo Liberado
Apesar de a venda de cigarros eletrônicos ser proibida pela Anvisa desde 2009, esses produtos estão sendo amplamente vendidos, especialmente entre a juventude. O pneumologista Ernando Sousa destaca que esse aumento é impulsionado por estratégias de marketing digital, sabores atrativos e a associação do uso desses dispositivos a um status social. O Brasil é um modelo global no combate ao tabagismo, com políticas de prevenção robustas. No entanto, a entrada de dispositivos eletrônicos traz novos desafios.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e do Ministério da Saúde revelam que aproximadamente 8,7% dos adolescentes de 14 a 17 anos relataram ter usado cigarros eletrônicos no último ano, superando a taxa de uso de cigarros tradicionais na mesma faixa etária. Entre os jovens adultos de 18 a 24 anos, o Vigitel 2023 revelou que cerca de 6,1% usam esses dispositivos, tornando-se um dos principais pontos de entrada para a nicotina.
Os efeitos do uso de cigarros eletrônicos já são perceptíveis. Estudos apontam que esses dispositivos estão ligados à dependência de nicotina, inflamações nas vias respiratórias, agravamento da asma, riscos cardiovasculares e danos pulmonares a longo prazo.
### Situação no Nordeste
A situação no Nordeste é particularmente preocupante. Uma pesquisa realizada com universitários da Universidade de Fortaleza (Unifor) revelou que 24% dos estudantes relataram usar cigarros eletrônicos, muitos desses usuários o fazem de forma regular. Além disso, muitos deles começaram a usar vapes sem ter um histórico prévio de tabagismo.
O médico Ernando Sousa, que também estuda Ciências Médicas, observa que isso representa uma quebra no padrão de controle do tabaco no país, com jovens iniciando o uso de nicotina através de dispositivos eletrônicos. Ele defende que é essencial tratar o cigarro eletrônico como um problema de saúde pública.
Sousa ressalta a importância de abordar o tema nas escolas, onde muitos jovens têm seu primeiro contato com esses produtos. Ele defende a necessidade de conscientização desde a infância, treinamento para educadores e preparação dos profissionais de saúde para lidar com uma nova geração de fumantes. Essa abordagem exige mudanças nas estratégias de comunicação e persuasão para efetivamente combater o problema.