21/02/2026
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Fake news: clareza e agilidade protegem saúde da desinformação

Em setembro de 2023, casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas em bares do estado de São Paulo trouxeram preocupação à população. As notícias sobre esses incidentes geraram uma onda de desinformação nas redes sociais, complicando ainda mais o cenário. Narrativas falsas surgiram, ligando a adulteração de bebidas com metanol à desativação do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), que controlava a produção de cervejas e refrigerantes, encerrado em 2016.

Diante desse cenário desafiador, o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que representa mais de 85% da produção de cerveja no país, decidiu intensificar sua comunicação com a sociedade. Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv, destacou que o sindicato adotou uma estratégia de comunicação clara e direta, em colaboração com a Oficina Consultoria. O objetivo era enfrentar a desinformação com dados precisos e informações de qualidade. Maciel enfatizou que a rapidez e a transparência na comunicação foram fundamentais para evitar a propagação de boatos.

Patrícia Marins, fundadora da Oficina Consultoria, também abordou a importância da comunicação na gestão de crises. Segundo ela, muitas empresas optam pelo silêncio durante situações de conflito, o que pode ser prejudicial. Marins reforçou que, na era digital, é crucial ser proativo e combater a desinformação, o que é tão vital quanto promover marcas e produtos.

No setor de saúde, o diálogo com diferentes segmentos sociais é essencial, especialmente em momentos críticos. Débora Pratali, diretora-executiva de comunicação do Hospital Israelita Albert Einstein, lembrou que a boa informação pode salvar vidas, enquanto a má informação pode ter consequências desastrosas. Ela ressaltou que a experiência durante a pandemia de covid-19 demonstrou o impacto que informações precisas podem ter na saúde pública.

Em 2026, o Hospital Einstein, em parceria com a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), organizará um evento destinado a líderes de comunicação do setor de saúde, focando em estratégias para combater desinformação. Pratali destacou a responsabilidade que o hospital possui na transmissão de informações de saúde confiáveis.

Além disso, o hospital tem investido em programas de formação e conscientização para jovens que trabalham com jornalismo comunitário. Um dos projetos pioneiros foi o “Repórter Paraisópolis”, que visa capacitar jovens jornalistas na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo. O curso, com duração de três meses, permite que os alunos, em média com 20 anos, produzam conteúdo para a revista “+Saúde na Quebrada”. Neste ano, o hospital expandiu suas atividades para Salvador, com o projeto “Repórter Comunidades”, buscando atender a região onde está localizado o Hospital Ortopédico da Bahia, que atualmente possui mais leitos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) do que no sistema privado.

Para 2026, está previsto um novo projeto em colaboração com a plataforma de empreendedorismo “Jornada Galápagos de Jornalismo”. Essa iniciativa visa formar 30 produtores de conteúdo do setor de jornalismo, com participantes de São Paulo e de várias regiões do país.

Pratali também destacou a importância da escuta ativa nas comunidades atendidas. “Precisamos fazer a informação chegar da melhor forma, e a comunidade precisa ter um canal para expor seu trabalho”, afirmou.

No setor corporativo, a Pfizer também enfatiza a pluralidade de públicos na comunicação sobre saúde. Cristiane Santos Blanch, da Pfizer, explicou que a empresa trabalha com diversas partes interessadas, incluindo sociedades médicas e influenciadores, para garantir que a população receba informações corretas sobre saúde.

Uma ação recente da Pfizer inclui uma parceria com a TV Globo para alertar a população sobre vírus respiratórios, promovendo medidas de prevenção, como a higienização das mãos e a manutenção da carteira de vacinação em dia. Esse tipo de informação é incorporado nas narrativas de novelas, aumentando a visibilidade e a compreensão do público sobre a importância da saúde.

Por sua vez, a empresa Santos Brasil desenvolveu um projeto de reposicionamento nas redes sociais, que resultou em um aumento significativo no número de seguidores e no alcance de suas postagens. Béatrice de Toledo Dupuy, responsável pela comunicação corporativa da empresa, ressaltou a importância de ser a voz oficial e acessível, oferecendo informações corretas ao público.

Para Natália Leal, diretora-executiva da Lupa, a desinformação pode prejudicar a imagem de marcas e causar danos reputacionais. Leal enfatizou que as instituições precisam entender o que é desinformação e adotar práticas que ajudem a combatê-la, refletindo sobre as plataformas onde aplicam seus investimentos em anúncios.

A crescente influência da inteligência artificial (IA) na disseminação de informações também é uma preocupação. A pesquisadora Pollyana Ferrari alertou para o risco de consumir conteúdo de forma imediata, sem crítica. Ela destacou a importância de que as pessoas verifiquem e confrontem as informações que recebem, mesmo quando essas vêm de tecnologias avançadas.

Com essas iniciativas e reflexões, o foco está em garantir uma comunicação efetiva e responsável, que combate a desinformação e promove a saúde e segurança da população.

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