19/03/2026
@»Mato Grosso Saúde»Mais de 850 falhas em atendimentos de saúde infantil no AM

Mais de 850 falhas em atendimentos de saúde infantil no AM

Manaus – Dados recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelam preocupantes informações sobre eventos adversos em saúde, com um total de 459.746 notificação entre 1º de janeiro e 14 de dezembro de 2025, em serviços de saúde públicos e privados. Desses, 47.853 ocorrências afetaram crianças de 0 a 11 anos. Em 2024, o número de eventos entre essa faixa etária foi de 43.944. No estado do Amazonas, 854 falhas na assistência à saúde foram registradas para crianças nesse grupo etário durante o mesmo período.

Esses números são absolutos e não consideram taxas per capita, ou seja, não estão ajustados pela população total de crianças. As idades analisadas incluíram recém-nascidos (menos de 28 dias) até 11 anos. É possível que os dados estejam subnotificados, indicando que o problema pode ser ainda maior.

Os dados apontam um cenário alarmante para as crianças, que são consideradas um dos grupos mais vulneráveis. As principais causas relacionadas a eventos adversos nesses pacientes estão ligadas a falhas na comunicação entre profissionais de saúde e familiares, além da participação limitada das crianças em seu tratamento. Isso pode resultar em danos como lesões, quedas e administração inadequada de medicamentos.

Paola Andreoli, presidente da Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP), destacou que a entidade busca promover um ambiente de cuidados mais seguros. Parte dessa estratégia envolve a inclusão de pacientes e familiares no processo assistencial, conforme estabelecido no Plano Global para Segurança do Paciente 2021-2030, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “É essencial que gestores de serviços de saúde adotem estratégias que garantam a participação dos pacientes e seus familiares. Ouvir os pais e incluí-los no cuidado das crianças é fundamental para garantir a segurança”, afirmou.

Para garantir uma assistência segura, é importante que os pais se envolvam ativamente no tratamento, conhecendo todo o plano de cuidados e fazendo perguntas sobre medicamentos, condições de saúde e qualquer mudança no tratamento. A pediatra Priscila Amaral, também membro da SOBRASP, reforça que o engajamento dos pais é vital, já que eles muitas vezes são os primeiros a perceber erros que podem ocorrer durante o cuidado, como falhas na administração de medicamentos ou na higiene necessária.

Além disso, o Plano Global de Segurança do Paciente 2021-2030, elaborado pela OMS, enfatiza a importância do envolvimento de pacientes e famílias como parceiros na busca por uma assistência à saúde mais segura. Essa iniciativa propõe que a sociedade participe ativamente da criação de políticas e estratégias eficazes, aprendendo com experiências passadas para desenvolver soluções que melhorem a segurança nos cuidados. O plano ainda defende que a transparência na comunicação de incidentes e o acesso à informação e educação em saúde são essenciais para garantir que os pacientes e seus familiares possam tomar decisões informadas sobre o tratamento.

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