Tensão entre EUA, Rússia e China no Conselho de Segurança da ONU sobre a Venezuela
No dia 23 de dezembro de 2025, o Conselho de Segurança das Nações Unidas foi palco de intensas críticas direcionadas aos Estados Unidos, feitas pelo Brasil, Rússia e China, em relação às ações militares e econômicas do governo americano contra a Venezuela. Durante a reunião, Moscou e Pequim descreveram a postura dos EUA como “comportamento de caubói” e “intimidação”.
O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, enfatizou que as medidas adotadas pelos Estados Unidos configuram uma violação clara do direito internacional. Ele classificou as operações militares americanas nas proximidades da Venezuela como uma “agressão flagrante”, ressaltando as consequências devastadoras desta abordagem.
O embaixador da China, Sun Lei, apresentou uma visão semelhante, afirmando que Beijing se opõe à unilateralidade e à intimidação por parte dos Estados Unidos. Ele declarou que a China apoia todos os países na defesa de sua soberania e dignidade.
A convocação da reunião de emergência foi solicitada pela Venezuela após um aumento nas hostilidades americanas, que incluíram ações contra embarcações no Mar do Caribe. Desde agosto, uma frota militar dos EUA se movimenta na região, resultando em bombardeios que deixaram mais de 105 mortos. Recentemente, Washington também anunciou um bloqueio naval à exportação de petróleo venezuelano, alegando que Caracas utiliza essa venda para financiar atividades criminosas.
Em resposta às acusações, o governo venezuelano defende que as ações dos EUA visam derrubar o presidente Nicolás Maduro para apropriar-se dos recursos naturais do país.
Criticas à atuação dos EUA segundo a Carta da ONU
O embaixador brasileiro, Sérgio Danese, articulou no Conselho de Segurança que as ações dos Estados Unidos violam princípios fundamentais estabelecidos pela Carta das Nações Unidas. Ele destacou a importância do diálogo, convidando ambos os países a buscar uma solução pacífica voluntária.
“Nosso governo está preparado para colaborar, se necessário, respeitando o consentimento mútuo entre EUA e Venezuela”, afirmou Danese, reiterando a disposição do Brasil em apoiar qualquer iniciativa de mediação que o secretário-geral da ONU possa querer promover.
Durante uma cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou que uma intervenção armada dos EUA na Venezuela poderia resultar em uma “catástrofe humanitária”. Lula sublinhou que as verdadeiras ameaças à soberania latino-americana vêm das guerras e do crime organizado, mencionando que a presença militar de potências externas é uma preocupação constante no continente.
Denúncias da Venezuela e apoio diplomático da ONU
O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, denunciou a presença de embarcações de guerra americanas no Caribe como “a maior extorsão da História”. Ele argumentou que os EUA estão agindo fora da legalidade internacional, exigindo que a Venezuela se submeta às suas vontades.
Em resposta, o vice-secretário-geral da ONU, Khaled Khiari, informou que o secretário-geral da organização, António Guterres, está pronto para apoiar esforços diplomáticos, caso ambas as partes solicitem.
Após a reunião, o presidente Nicolás Maduro declarou que a Venezuela está recebendo “apoio incondicional” do Conselho de Segurança da ONU e afirmou que seu país não será derrotado. Essa declaração ocorreu no mesmo dia em que a Assembleia Nacional da Venezuela aprovou uma nova lei contra pirataria e bloqueios navais, impondo penas de até 20 anos de prisão para aqueles que cometerem ou financiarem esses crimes.