Conciliar carreira e estudos sempre foi um desafio, e essa tarefa se tornou ainda mais complexa com as recentes mudanças nos modelos de trabalho nas empresas. Após a intensa adoção do home office durante a pandemia, muitas organizações estão agora retornando ao trabalho presencial ou adotando modelos híbridos. Essa transição resultou em uma diminuição da flexibilidade que anteriormente permitia que profissionais estudassem durante pequenas pausas, como entre reuniões ou no intervalo do almoço.
Agora, incorporar aulas online à rotina não é apenas uma questão de disciplina, mas requer um planejamento estratégico. Os trabalhadores que antes assistiam a aulas gravadas à tarde agora se deparam com deslocamentos mais longos, jornadas rígidas e agendas lotadas, tudo isso em um momento em que a exigência de atualização profissional é cada vez maior. Essa pressão é reflexo da rápida evolução das transformações tecnológicas, que reduzem a validade das habilidades adquiridas, espaço esse que se torna cada vez mais escasso para estudos.
Diante desse cenário, o ensino a distância (EaD) passou a ser uma solução importante para a formação profissional. Segundo dados do Censo da Educação Superior, as matrículas em EaD já representam mais da metade do total de inscritos na graduação, com 50,7% das matrículas registradas. As ferramentas digitais, como aulas gravadas e cursos modulares, oferecem uma maior flexibilidade para que o aprendizado possa ser distribuído ao longo da semana, adaptando-se ao ritmo de vida dos alunos.
O EaD não é apenas uma opção conveniente, mas se tornou essencial para aqueles que precisam equilibrar trabalho, estudo e renda. Em um ambiente de trabalho caracterizado por longas jornadas e deslocamentos, a educação flexível se firmou como uma das únicas alternativas viáveis para continuar a se qualificar sem abandonar a carreira.
Nesse contexto, os profissionais que conseguem seguir aprendendo continuamente não são necessariamente os que têm mais tempo disponível, mas sim aqueles que ajustam suas rotinas de maneira intencional. Algumas estratégias práticas podem facilitar essa conciliação entre estudos e trabalho:
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Defina um horário fixo para o estudo: Com as agendas cada vez mais cheias, esperar criar espaço para o aprendizado não é mais eficaz. Profissionais que se destacam reservam horários específicos para estudar, de preferência pela manhã, quando a energia está mais alta e há menos distrações. Mesmo períodos curtos e regulares de estudo podem gerar resultados superiores a longas sessões esporádicas.
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Aproveite os dias de home office estrategicamente: No modelo híbrido, os dias de trabalho remoto podem ser utilizados para concentrar aulas ao vivo, leituras mais complexas ou atividades acadêmicas. Esse planejamento ajuda a minimizar o cansaço acumulado em dias de deslocamento e reuniões presenciais, tornando o home office também um momento de aprendizado.
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Procure por aulas flexíveis: Cursos que ofereçam aulas gravadas ou conteúdos em áudio possibilitam dividir o estudo em períodos menores, encaixando-o na rotina diária, como durante trajetos ou intervalos. A regularidade é mais importante que a quantidade de horas estudadas.
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Conecte o aprendizado a desafios do trabalho: Relacionar o que se estuda com problemas reais enfrentados no dia a dia aumenta a produtividade e a motivação. Aplicar imediatamente os novos conhecimentos no trabalho pode aliviar a pressão de ter que administrar estudo e trabalho como se fossem tarefas isoladas.
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Evite excessos e priorize a consistência: Estudar muitas horas diariamente é muitas vezes insustentável. O avanço no aprendizado contínuo é mais eficaz com metas realistas, pausas adequadas e equilíbrio entre as demandas profissionais e educacionais.
Outro aspecto importante a ser considerado é a saúde mental. A pressão por alto desempenho, tanto no trabalho quanto nos estudos, trouxe à tona a necessidade de cuidar do bem-estar psicológico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que o excesso de trabalho, sem descanso adequado, pode aumentar os riscos de ansiedade e esgotamento.
Pesquisas indicam que profissionais que não dormem o suficiente são mais propensos a cometer erros e têm menores níveis de produtividade. Por outro lado, aqueles que mantêm uma rotina de descanso saudável mostram melhor concentração, aprendizado e capacidade de decisão.
Portanto, combinar trabalho e estudos de forma saudável é crucial para um desenvolvimento sustentável. A qualificação contínua deve sempre respeitar limites, priorizar a regularidade e cuidar do bem-estar físico e mental para que traga benefícios reais a longo prazo.