Com a chegada das férias escolares e o aumento das temperaturas, as crianças passam mais tempo em atividades ao ar livre, o que pode aumentar a exposição a riscos à saúde. Situações como desidratação, insolação, infecções virais e acidentes domésticos são problemas comuns nesse período. Estudos mostram que ondas de calor podem afetar principalmente crianças menores de 9 anos, resultando em um aumento significativo nas internações hospitalares com cada elevação de 5 °C na temperatura.
A pediatra Andrea Dambroski, do Departamento de Saúde Escolar da Rede Positivo, ressalta a importância de prevenção e supervisão redobradas durante as férias. “A rotina muda e as crianças passam mais tempo fora de casa. Portanto, é essencial estar atento aos cuidados com a saúde”, explica a especialista. A seguir, estão listados os principais riscos e orientações para garantir férias mais seguras.
1. Desidratação
A hidratação é fundamental no verão, pois crianças pequenas perdem mais líquido através do suor e podem não pedir água enquanto brincam. É recomendável oferecer líquidos frequentemente, mesmo que não peçam. Sinais de desidratação incluem urina escura, lábios secos, sonolência e diminuição das micções. Se a criança apresentar vômitos ou diarreia, o soro de reidratação oral pode ser oferecido em pequenas quantidades. Caso a criança mostre olhos fundos, apatia ou diminuição acentuada da urina, é importante buscar atendimento médico.
2. Insolação
A insolação ocorre com frequência após longos períodos sob sol intenso. Para evitar esse problema, é aconselhado evitar atividades externas entre 10h e 16h e aplicar protetor solar pelo menos 30 minutos antes da exposição ao sol. Usar roupas leves, chapéus e fazer pausas na sombra são medidas que ajudam a prevenir. Sintomas de alerta, como pele quente, vômitos, confusão mental ou desmaios, requerem atendimento médico imediato.
3. Queimaduras solares
Proteger a pele das crianças contra queimaduras solares é crucial. Além da dor e bolhas, essas queimaduras podem aumentar o risco de câncer de pele no futuro. Para bebês menores de 6 meses, a proteção deve ser feita com sombra e roupas adequadas. Para crianças maiores, o uso de protetor solar com FPS acima de 30 é recomendado, devendo ser reaplicado a cada duas horas ou após a criança entrar em contato com água. Produtos específicos para cada faixa etária ajudam a evitar alergias e reações adversas.
4. Gastroenterites e vírus respiratórios
O calor e a aglomeração em ambientes públicos aumentam a circulação de vírus gastrointestinais e respiratórios. Para minimizar o risco de infecções, é importante manter as mãos sempre limpas, garantir ventilação em ambientes e evitar contato com pessoas doentes. Em viagens, os cuidados com a alimentação são ainda mais necessários. É melhor escolher locais confiáveis para refeições, optar por alimentos bem cozidos e evitar laticínios e ovos, que necessitam de refrigeração. Além disso, verificar a caderneta de vacinação antes de qualquer viagem é essencial, especialmente em viagens internacionais.
5. Acidentes domésticos
Durante o período de férias, os acidentes em casa tendem a aumentar. Quedas, queimaduras, afogamentos e ingestão de substâncias tóxicas são algumas situações que podem ocorrer. Para prevenir esses acidentes, é necessário proteger tomadas, manter produtos de limpeza e medicamentos fora do alcance das crianças e instalar telas em janelas e sacadas. Também é importante virar os cabos de panelas para dentro do fogão, evitar líquidos quentes perto das crianças e sempre supervisioná-las.
Quando buscar atendimento médico
Os responsáveis devem estar atentos e procurar atendimento médico sempre que a criança apresentar sintomas como vômitos persistentes, diarreia com sangue, dificuldade para respirar, febre alta que não diminui, cansaço extremo, convulsões ou sinais de desidratação grave. Nesses casos, manter a calma e buscar ajuda o quanto antes é essencial para garantir a saúde da criança.