Aumento de Casos de AVC no Verão: Entenda o Que Acontece
Durante o verão, os casos de acidente vascular cerebral (AVC) tendem a aumentar, segundo o neurocirurgião e neurorradiologista do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro, Orlando Maia. Ele explica que diversos fatores contribuem para essa elevação, sendo o calor um dos principais responsáveis. O aumento da temperatura causa desidratação nas células e, consequentemente, eleva o risco de coagulação do sangue.
Existem dois tipos de AVC: o hemorrágico, que ocorre quando um vaso cerebral se rompe, e o isquêmico, que representa a maioria dos casos. Este último é causado pela formação de um coágulo que bloqueia um vaso sanguíneo. A desidratação que ocorre no verão favorece a trombose, aumentando a probabilidade de AVCs isquêmicos.
Pressão Arterial e Estilo de Vida
A pressão arterial também pode ser impactada pelo calor. Durante o verão, os vasos sanguíneos se dilatam em resposta ao calor, o que pode reduzir a pressão arterial. Essa queda pode levar à formação de coágulos e à arritmia, uma condição em que o coração não bate de forma regular. Quando isso acontece, o risco de um coágulo se deslocar até o cérebro aumenta, uma vez que cerca de 30% do sangue bombeado pelo coração vai para esta região.
Outro fator que contribui para o aumento dos casos de AVC no verão é a mudança no comportamento das pessoas. Com as férias, muitos relaxam nos cuidados com a saúde, aumentando o consumo de álcool, que por sua vez, pode causar desidratação e aumentar o risco de arritmias. A falta de disciplina pode levar também ao esquecimento de medicamentos essenciais para o controle da pressão arterial.
Além dessas questões, o verão traz diversas doenças, como gastroenterites devido ao calor, insolação e mesmo situações de maior esforço físico, que podem agravar ainda mais a predisposição a um AVC. O tabagismo, presente em muitas das práticas de vida modernas, também representa um risco elevado, pois pode levar à formação de aneurismas cerebrais.
O Perigo do AVC
O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade em todo o mundo e, quando não resulta em morte, pode deixar a pessoa incapacitada. As sequências podem incluir dificuldades para andar, falar e até se alimentar. O impacto do AVC geralmente não afeta apenas o paciente, mas também a família, que muitas vezes precisa dedicar tempo e recursos para cuidar do doente.
Orlando Maia destaca que é crucial que as pessoas estejam cientes da aridez do AVC e da importância da prevenção. Um estilo de vida saudável, com prática regular de exercícios, alimentação balanceada e não fumar, são fundamentais. O controle da pressão arterial e a adesão ao tratamento médico são igualmente importantes para evitar essa condição.
Atualmente, existem tratamentos eficazes para o AVC. Um deles é a administração de um remédio que dissolve coágulos, sendo mais eficaz se aplicado nas primeiras quatro horas e meia após o início dos sintomas. Em casos mais complexos, um procedimento com cateter pode ser realizado até 24 horas após os primeiros sinais.
Reconhecendo os Sintomas
Os sintomas de um AVC podem aparecer rapidamente e incluem paralisia súbita em um dos lados do corpo, dificuldade de fala, perda de visão em um dos lados ou tontura intensa. É vital que, ao identificar esses sinais, a pessoa seja levada imediatamente a um hospital, pois a rapidez no atendimento pode ser determinante para o tratamento eficaz e a recuperação.