19/03/2026
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Cuidado paliativo pode beneficiar pacientes com doenças cardiovasculares críticas

Cuidados Paliativos em Doenças Cardíacas

Os cuidados paliativos podem ajudar a aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças cardiovasculares. Essas abordagens garantem que o tratamento respeite as crenças e valores pessoais do paciente em todas as etapas da doença, tanto quando estão internados em unidades de terapia intensiva quanto recebendo atendimento ambulatorial.

Um novo documento científico sugere métodos para integrar os cuidados paliativos no tratamento de pacientes com doenças cardíacas críticas. O foco dos cuidados paliativos é melhorar a qualidade de vida, reduzir o sofrimento físico e emocional, e oferecer apoio emocional a pacientes e familiares em todas as fases da doença, não apenas no final da vida. Hoje em dia, essa abordagem é mais utilizada para pacientes com câncer.

De acordo com Erin A. Bohula, médica e professora na Harvard Medical School, é importante entender os benefícios dos cuidados paliativos em várias condições cardíacas. Pacientes com doenças do coração enfrentam sintomas crescentes e limitações físicas, e precisam que os cuidados reflitam suas preferências pessoais, sejam estas a intenção de lutar pela vida ou priorizar o conforto.

Cuidados Paliativos em Condições Cardiovasculares Específicas

Os cuidados paliativos podem ser oferecidos junto com tratamentos convencionais em qualquer estágio da doença. Contudo, o tratamento de doenças cardiovasculares pode ser desafiador, pois a evolução da doença é imprevisível e pode levar a situações que exigem hospitalizações urgentes. Isso pode resultar em novos sintomas e em necessidades intensivas de suporte.

Muitos pacientes internados em UTIs cardíacas são idosos, frequentemente frágeis e com múltiplas condições médicas. Os profissionais de cuidados paliativos devem entender rapidamente a situação e participar das decisões sobre tecnologias para manter a vida e intervenções cardíacas complexas.

Os cuidados paliativos podem ser aplicados para gerenciar sintomas e melhorar a qualidade de vida em diferentes doenças do coração:

  • Insuficiência Cardíaca: Nesta condição, o coração tem dificuldade para bombear sangue suficiente ao corpo. Os sintomas incluem falta de ar e fadiga. O tratamento pode exigir desde a inserção de um dispositivo até um transplante de coração. A inclusão dos cuidados paliativos já é uma recomendação nos guias de manejo da insuficiência cardíaca, pois melhora a qualidade de vida, a capacidade física e reduz internações hospitalares.

  • Doença Arterial Coronariana: O desenvolvimento de placas nas artérias causa dor intensa no peito, o que afeta a qualidade de vida e pode causar depressão. Os cuidados paliativos ajudam a aliviar os sintomas, especialmente em casos avançados onde cirurgias não são possíveis. No entanto, somente 15% dos pacientes com esta condição recebem encaminhamentos para cuidados paliativos.

  • Doença Arterial Periférica (PAD): A compressão das artérias que levam sangue às pernas causa dor e limita a capacidade de caminhar. O tratamento varia entre medicamentos e procedimentos cirúrgicos. Estudos mostram que a assistência paliativa pode melhorar a comunicação entre as famílias e os cuidados no final da vida.

  • Doenças Cardíacas Congênitas em Adultos: Pacientes que nasceram com defeitos cardíacos têm uma expectativa de vida maior hoje em dia. Com isso, muitos estão em risco crescente de insuficiência cardíaca e outras complicações. Os cuidados paliativos são essenciais para oferecer suporte emocional às famílias e facilitar conversas sobre os objetivos do tratamento.

  • Doença Valvular: Problemas nas válvulas do coração podem causar falta de ar e dor. O tratamento pode envolver cirurgias para corrigir ou substituir as válvulas. Os cuidados paliativos ajudam a entender se o foco deve ser o alívio dos sintomas ou a extensão da vida.

  • Arritmias: Pacientes com dispositivos como desfibriladores implantáveis podem sentir ansiedade devido aos choques inesperados. Os cuidados paliativos ajudam a alinhar os valores do paciente com as decisões sobre o uso e manuseio desses dispositivos.

  • Após Parada Cardíaca: A recuperação pode deixar sequelas severas, como lesões cerebrais e fraqueza muscular. A consulta precoce com uma equipe de cuidados paliativos pode ajudar na tomada de decisões difíceis e oferecer suporte contínuo para todos os envolvidos.

Desafios de Acesso e Questões Éticas

Apesar dos benefícios, muitos pacientes com doenças cardiovasculares têm acesso limitado a especialistas em cuidados paliativos. As referências para esses cuidados tendem a ser baixas e mais lentas do que as para pacientes com câncer.

Devido à escassez de recursos e ao atraso nos encaminhamentos, o acesso a cuidados paliativos ambulatoriais é complicado. As unidades de terapia intensiva fora de grandes hospitais também podem ter limitações. Sugere-se integrar serviços paliativos em clínicas de insuficiência cardíaca, facilitando a transição do tratamento hospitalar para o ambulatorial.

Questões éticas também são complexas, principalmente no que diz respeito a intervenções que sustentam a vida. As diretrizes médicas enfatizam o bem-estar do paciente e o respeito à autonomia, mas esses princípios podem entrar em conflito em situações críticas. Por exemplo, desativar uma função de choque de um desfibrilador pode aumentar o risco de morte, mas ao mesmo tempo pode reduzir a dor do paciente.

Um documento adicional sobre cuidados paliativos e doenças cardiovasculares destaca a importância de decisões compartilhadas entre pacientes e familiares conforme a doença avança. Quando os sintomas se agravam, é necessário discutir a modificação ou interrupção de certos tratamentos com base nas preferências pessoais do paciente.

Educação para Especialistas em Cardiologia

Embora os cuidados paliativos não sejam uma especialidade reconhecida em cardiologia, seus princípios podem ser aplicados por profissionais da área que tenham treinamento na área e colaborem com especialistas em cuidados paliativos. No entanto, apenas uma pequena parte dos médicos que se formam em cardiologia recebe esse tipo de treinamento.

O documento científico aponta algumas competências básicas que os especialistas em cardiologia devem ter em relação aos cuidados paliativos:

  • Conduzir o manejo dos sintomas comuns, como dor e falta de ar, e abordar as necessidades emocionais e espirituais dos pacientes.
  • Discutir prognósticos e opções de tratamento com sensibilidade às crenças culturais e pessoais.
  • Colaborar em equipes multidisciplinares para garantir a continuidade do tratamento em diferentes contextos.
  • Compreender as questões éticas relacionadas à atenção cardiológica avançada, como decisões no final da vida.

É fundamental que todos os profissionais que atuam em UTIs cardíacas tenham as habilidades necessárias para proporcionar cuidados paliativos de qualidade, garantindo que o tratamento esteja alinhado com as escolhas pessoais dos pacientes. Com os avanços no tratamento crítico cardíaco, a integração dos cuidados paliativos garante um atendimento mais completo, cuidando das necessidades dos pacientes em momentos críticos ou no final da vida.

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