09/02/2026
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Comunidades tradicionais da Amazônia têm maior consumo de cigarro

As taxas de tabagismo nas comunidades tradicionais da Amazônia Legal são significativamente mais altas do que em outras partes da região. Um estudo recente revelou que 12% das pessoas dessas comunidades se identificam como fumantes, enquanto este índice é de apenas 6% entre a população geral local. A pesquisa, intitulada “Mais Dados, Mais Saúde”, foi realizada pelas organizações de saúde Vital Strategies e Umane, com o apoio do instituto Devive, e coletou dados de 4.037 pessoas entre maio e julho deste ano.

As comunidades tradicionais incluem grupos como indígenas, seringueiros, quilombolas, ribeirinhos e extrativistas. De acordo com dados do IBGE, a Amazônia Legal abriga aproximadamente 867.919 indígenas e 427.801 quilombolas, demonstrando a diversidade cultural e étnica da região. O total da população nos nove estados que compõem a Amazônia Legal — Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e parte do Maranhão — é de cerca de 26,7 milhões de habitantes.

Além do tabagismo, o estudo também apontou que 12,3% da população da Amazônia Legal consome álcool regularmente, ou seja, três ou mais vezes por semana. Este índice é consideravelmente alto quando comparado à média nacional, que gira em torno de 3%, segundo dados de uma pesquisa anterior. O consumo de tabaco e álcool é uma preocupação crônica nessas comunidades.

Luciana Vasconcelos, diretora-adjunta de Doenças Crônicas da Vital Strategies, destacou a falta de informação em saúde como um fator crítico que impede a redução do tabagismo. Muitas comunidades vivem distantes de unidades de saúde primária, onde são realizadas ações de prevenção e educação. “A carência de comunicação sobre os riscos à saúde está ligada aos altos índices de tabagismo. Se as pessoas não têm acesso ao sistema de saúde, não conhecem os impactos de certos hábitos”, afirmou Luciana.

A dificuldade de acesso aos serviços de saúde também compromete o tratamento e a prevenção. O aumento do contato com os serviços de saúde tem o potencial de reduzir significativamente o consumo de tabaco nessas populações.

Além das questões de saúde, aspectos culturais também desempenham um papel importante. Gabriel Cortês, especialista técnico da Vital Strategies, observou que o tabaco está frequentemente ligado a rituais e tradições, além de ser um símbolo associado ao trabalho, como é o caso dos seringueiros e pescadores, que muitas vezes são vistos com cigarros.

A pesquisa ainda revelou que o tabagismo é mais prevalente entre os homens, com 12,8% de fumantes, em comparação a 4,6% entre as mulheres na Amazônia Legal. Esses dados fortalecem a necessidade de ações prioritárias voltadas à conscientização e à saúde dessas comunidades, que enfrentam desafios únicos em relação ao consumo de substâncias como o tabaco e o álcool.

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