06/02/2026
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Brasil pode fortalecer papel na saúde global em 2026

Em 2025, o sistema de saúde dos Estados Unidos enfrenta uma grave crise, marcada por polêmicas sobre vacinas e o aumento de doenças preveníveis. Uma das informações que gerou confusão foi a declaração do ex-presidente Donald Trump, que associou o uso de paracetamol ao autismo, uma afirmação que não tem respaldo na ciência.

Nesse contexto, diretores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) pediram demissão em agosto e julho. As demissões foram motivadas por discordâncias em relação a mudanças na política de vacinação que não eram apoiadas por evidências científicas. Um total de 17 especialistas de um comitê consultivo sobre vacinação no CDC foram demitidos e substituídos por novas figuras, críticos das vacinas.

A situação se agrava com um surto de sarampo, que atingiu o maior número de casos nos últimos 30 anos nos EUA. As vacinas enfrentam desafios sérios, com um levantamento mostrando que 1 em cada 6 pais americanos decidiu não vacinar ou atrasar a vacinação de seus filhos. Além disso, um painel consultivo deixou de recomendar a vacina contra hepatite B para todos os recém-nascidos.

Esse problema não é exclusivo dos Estados Unidos. No Brasil, Claudio Maierovitch, sanitarista da Fiocruz, alerta que, apesar de progressos no combate ao sarampo, a taxa de imunização caiu nos últimos anos. Ele destaca que essa redução deveria ter provocado campanhas de conscientização mais efetivas.

Casos de sarampo também aumentaram em países asiáticos como Camboja, Mongólia, Filipinas e Vietnã, se comparados aos primeiros meses de 2024. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou essa situação como um retorno alarmante de doenças que poderiam ser prevenidas com vacinas.

A atual desconfiança em relação às vacinas remete aos problemas de comunicação e desinformação que marcaram a pandemia de Covid-19. André Siqueira, médico infectologista, aponta que a hesitação vacinal atual é uma continuidade das dúvidas que surgiram durante esse período crítico. Deisy Ventura, professora da Universidade de São Paulo, ressalta que o combate às fake news sobre saúde ainda precisa de melhorias. Ela menciona os comentários de autoridades, como o prefeito de São Paulo, que se manifestou com arrependimento por apoiar a obrigatoriedade da vacina contra a Covid.

Nos Estados Unidos, o secretário de saúde, Robert Kennedy Jr., tem promovido ideias sem base científica e nomeado pessoas com visões semelhantes em órgãos de saúde, como o CDC. Essas mudanças nos EUA têm repercussões globais, uma vez que o país era um dos maiores financiadores da OMS. A saída dos Estados Unidos da organização afetou programas de saúde em todo o mundo, incluindo aqueles que lutam contra doenças como HIV.

Essas decisões que partem do governo americano afetam a gestão de saúde global. Segundo Maierovitch, a postura do CDC influencia outros países, inclusive o Brasil, onde a necessidade de independência sanitária se torna ainda mais relevante. Para Deisy Ventura, o Brasil possui um sistema de saúde robusto e reconhecido, mas é fundamental melhorar o financiamento à pesquisa e às instituições como a Fiocruz.

Entretanto, ainda existem grandes desafios a serem enfrentados, como a necessidade de um aumento significativo nos investimentos em saúde e ciência.

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