09/02/2026
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Acidentes de trânsito e a saúde pública no Amazonas

Aumento de Acidentes de Motocicleta se Torna Emergência de Saúde Pública no Amazonas

Os acidentes de trânsito, principalmente os que envolvem motocicletas, configuram uma grave emergência de saúde pública no Amazonas. Diariamente, famílias inteiras enfrentam as consequências desses acidentes, enquanto os hospitais lidam com a pressão sobre seus serviços e o orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS) se vê sobrecarregado.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), o crescimento do número de atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito tem afetado diretamente o sistema de saúde. Nos primeiros 11 meses de 2025, foram registrados 17.562 atendimentos relacionados a acidentes de trânsito, o que representa um aumento de 25% em comparação ao mesmo período de 2024, quando o total foi de 13.970 atendimentos.

Desses atendimentos, 76% foram em decorrência de acidentes com motocicletas. Esse alto índice resultou em um custo aproximado de R$ 587,2 milhões para o governo estadual, correspondendo a 17% do orçamento destinado à saúde no estado. O custo médio para cuidar de um paciente vítima de acidente de trânsito é de cerca de R$ 39,9 mil, podendo chegar a R$ 34,2 mil no caso específico de vítimas de acidentes de moto. Esses valores incluem internações, cirurgias e fisioterapia.

Além do impacto econômico, esses acidentes trazem consequências severas para as vítimas e suas famílias. Um terço dos pacientes atendidos por traumas após acidentes com motos desenvolvem sequelas permanentes, levando a aposentadorias precoces e, consequentemente, a um impacto econômico para a Previdência Social.

Os dados do Atlas da Violência 2025 revelam que no Amazonas, 53,7% das mortes no trânsito em 2023 foram causadas por motos, totalizando 252 óbitos entre 440 acidentes fatais. A situação é alarmante e possui reflexos diretos na saúde pública e na economia do estado.

Um dos grandes desafios no Amazonas é a logística. Com 62 municípios e grandes distâncias, um acidente grave no interior não apenas exige atendimento médico, mas também mobiliza aeronaves e equipes especializadas, uma vez que muitos tratamentos complexos estão centralizados na capital.

No primeiro trimestre de 2025, mais de 1.300 remoções aeromédicas foram realizadas, a maioria para tratar traumas de acidentes de trânsito. Este cenário exige um investimento contínuo no SUS para garantir a assistência necessária. Desde 2022, sob a gestão do governador Wilson Lima e da secretária de Saúde, Nayara Maksoud, uma série de mudanças tem sido implementadas no sistema de saúde estadual.

Essas mudanças visam melhorar o atendimento aos pacientes politraumatizados, reduzindo o tempo de internação e aumentando a eficiência na realização de cirurgias. Com a reestruturação da rede de urgência e emergência, muitos pacientes agora são operados prontamente ao chegarem ao hospital.

Embora o número de acidentes tenha aumentado, a taxa de mortalidade relacionada a esses casos na rede de saúde vem diminuindo. Isso indica que melhorias na gestão e regulação estão contribuindo para salvar vidas.

Entretanto, é importante destacar que o sistema de saúde enfrenta um limite. Cada novo acidente resulta em recursos que poderiam ser utilizados em outras áreas importantes, como cuidados com doenças crônicas e cirurgias programadas. Isso demonstra que a questão dos acidentes de trânsito deve ser tratada como uma política de saúde pública, com investimentos em educação e prevenção.

As motocicletas são uma ferramenta importante de trabalho e mobilidade para muitos, mas a condução irresponsável, a falta de equipamentos de segurança e a normalização do risco têm transformado esse meio de transporte em uma grande fonte de traumas. Jovens, mototaxistas, entregadores e chefes de família fazem parte do grupo mais afetado.

Dessa forma, é fundamental a união de esforços para conscientizar a população sobre a segurança no trânsito. Campanhas de educação, fiscalização, melhorias na infraestrutura viária e treinamentos de condutores são essenciais para prevenir acidentes.

Valorizar o SUS e os profissionais de saúde que atuam na linha de frente é crucial. A conscientização da população pode fazer a diferença na redução do número de acidentes e de vidas perdidas. Cada acidente evitado resulta em menos leitos ocupados e mais vidas salvas.

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