07/02/2026
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Crimes que afetam a saúde de mulheres e crianças

Um estudo recente publicado na revista científica The Lancet destaca a importância de uma abordagem integrada no combate à violência contra mulheres e crianças. Pesquisadores do Institute for Health Metrics and Evaluation, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, analisaram dados de 2023 e identificaram os principais fatores que afetam a saúde e a vida de homens e mulheres em todo o mundo.

Globalmente, os maiores fatores de risco que levam à perda de anos de vida saudável e a mortes prematuras incluem pressão arterial alta, poluição do ar, tabagismo, níveis elevados de açúcar no sangue, baixo peso ao nascer e gestações de curta duração. Porém, para mulheres entre 15 e 49 anos, o cenário muda. Neste grupo, as principais causas incluem sexo desprotegido, desnutrição, deficiência de ferro, violência de parceiros íntimos e violência sexual contra crianças.

No contexto brasileiro, violência por parceiros e violência sexual têm um impacto ainda mais significativo na segurança pública, ocupando a segunda e a terceira posição entre os fatores de risco, logo após a obesidade.

O estudo estima que, globalmente, 145 mil mulheres com 15 anos ou mais morreram em decorrência de violência por parceiros íntimos, sendo o suicídio a principal causa, responsável por 60 mil mortes, enquanto o feminicídio corresponde a 28 mil. Além disso, essa violência resulta em doenças, traumas e incapacidades significativas.

As mulheres que enfrentam violência por parceiros geralmente experimentam transtornos de ansiedade e depressão, assim como automutilação e as consequências da própria violência. Para homens e mulheres que sofreram agressões na infância, os efeitos psicológicos incluem esquizofrenia e bulimia, além de automutilação e dependência de substâncias.

O estudo recomenda que políticas públicas voltadas para o combate à violência contra mulheres e crianças devem unir esforços nas áreas de saúde, segurança, educação, justiça e assistência social. No entanto, no Brasil, essa abordagem integrada ainda é incipiente, e os números de feminicídios continuam a crescer, especialmente entre meninas menores de 14 anos, que têm dificuldade de acesso ao aborto legal.

No estado de São Paulo, por exemplo, 2025 registrou o maior número de feminicídios desde 2018. No final do ano, a Polícia Civil realizou uma operação para prender cerca de 1.400 suspeitos de violência contra mulheres, mas iniciativas isoladas não são suficientes para resolver o problema de maneira eficaz. A complexidade da violência exige uma resposta abrangente e bem planejada, de modo a evitar o desperdício de recursos públicos e proteger melhor as possíveis vítimas.

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