O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PL, se manifestou nesta sexta-feira sobre a decisão da Polícia Federal que determina seu retorno ao cargo de escrivão da corporação. Eduardo se afastou dessa função para exercer o mandato parlamentar, mas teve seu cargo cassado por faltas. Atualmente, ele está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e declarou que neste momento não tem condições de voltar ao Brasil. O ex-parlamentar afirmou que não entregará sua posição na Polícia Federal “de mãos beijadas”.
Ele explicou que lutará para manter o cargo, ressaltando que trabalhou duro para ser aprovado no concurso. A determinação para seu retorno ao cargo foi assinada pelo diretor de gestão de pessoas substituto da Polícia Federal no dia 31 de dezembro, com a publicação no Diário Oficial da União nesta sexta-feira. O documento menciona um “retorno imediato” para regularizar sua situação funcional na Delegacia da Polícia Federal em Angra dos Reis, estado do Rio de Janeiro.
Eduardo foi alvo de processos administrativos disciplinares em 2025, devido a ataques à Polícia Federal e ameaças a delegados federais. Além disso, o ex-deputado teve seu mandato cassado no último dia 18, uma decisão tomada pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, sem votação em plenário, por não ter comparecido a uma quantidade mínima de sessões.
A cassação de seu cargo se baseou em um artigo da Constituição que diz que essa perda ocorre automaticamente quando o parlamentar deixa de comparecer a um terço das sessões deliberativas. Eduardo também enfrenta uma acusação no Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo. A Procuradoria-Geral da República o denunciou por, supostamente, estar nos Estados Unidos articulando sanções contra autoridades brasileiras, visando pressionar o STF antes do julgamento que resultou na condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.
Segundo o ministro Alexandre de Moraes, houve uma grave ameaça devido a essas articulações, que resultaram em sanções do governo dos Estados Unidos. Eduardo não apresentou uma defesa formal à acusação e a Defensoria Pública da União assumiu sua defesa. O órgão argumenta que as declarações feitas por ele, ao defender sanções dos Estados Unidos, ocorreram no exercício de seu mandato e, portanto, devem ser protegidas pela imunidade parlamentar.
Em setembro de 2025, a Polícia Federal abriu um processo administrativo contra ele para investigar a sua atuação nos Estados Unidos em relação às sanções ao Brasil, protocolado por um ministro da Secretaria-Geral à época. Eduardo se envolveu em polêmicas, incluindo ameaças a delegados durante uma live que ocorreu após uma operação que mirou seu pai. Ele criticou publicamente a atuação da Polícia Federal e direcionou ataques a um delegado específico, que cuida de inquéritos contra seu pai.
Após essas declarações, a Polícia Federal considerou as ameaças como uma tentativa de intimidação. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, informou que seriam adotadas as providências necessárias, incluindo o envio de gravações de Eduardo fazendo ameaças ao STF e à PF para investigação.