Crescimento da Violência e Saúde Mental: Iniciativas de Apoio em Macaé
Um estudo recente com 2.475 pacientes de serviços públicos de saúde mental revelou dados preocupantes sobre a relação entre violência e saúde mental. Realizado pelo Projeto Pessoas, a pesquisa indicou que 82% das mulheres entrevistadas relataram ter sofrido algum tipo de violência ao longo da vida. Dentre elas, 63% mencionaram violência verbal, 58% enfrentaram violência física e 27% foram vítimas de violência sexual, com diferenças significativas dependendo do gênero. Esses achados evidenciam que as experiências de violência são comuns entre pessoas em tratamento para transtornos mentais, ressaltando a ligação entre trauma e sofrimento mental.
Lorrane Moreira, Gerente de Saúde Mental, destaca que a Organização Mundial da Saúde define saúde mental de forma ampla, incluindo o bem-estar físico, mental e social. Para promover essa saúde, é essencial que crianças, jovens, famílias e trabalhadores tenham acesso a equipamentos e serviços que vão além do Sistema Único de Saúde (SUS), abrangendo áreas como educação, esporte, cultura e lazer.
Para garantir o acesso à saúde física e mental, Macaé conta com uma rede integrada de apoio. As Estratégias de Saúde da Família e as Unidades Básicas de Saúde disponibilizam, além de médicos e enfermeiros, equipes multiprofissionais que incluem psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas e nutricionistas. Essas equipes realizam atendimentos tanto individuais quanto em grupo, visando fortalecer os laços comunitários e promover ações de prevenção e educação em saúde.
Os serviços municipais ligados à Gerência de Saúde Mental estão disponíveis para toda a população, funcionando com portas abertas. Os principais serviços incluem o Núcleo de Saúde Mental, o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi) para crianças e adolescentes, o Caps Betinho para adultos, e o Caps AD para questões relacionadas ao uso de álcool e outras drogas. Também existe o Centro de Convivência, que proporciona oportunidades de socialização e práticas terapêuticas por meio de arte e música.
Em janeiro, uma nova iniciativa será lançada. Em parceria com o Centro de Convivência Benedito Lacerda, a Gerência de Saúde Mental realizará a colônia de férias chamada “Conviver Feliz”, voltada especialmente para crianças e adolescentes. Essa ação é uma resposta aos altos índices de sofrimento psicológico nesse grupo etário. Lorrane lembra que a vivência de violência doméstica durante a infância e adolescência é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de problemas de saúde mental.
Essas iniciativas buscam oferecer suporte e promover o bem-estar da população, ressaltando a importância da saúde mental como parte fundamental da vida de todos os cidadãos.