17/03/2026
@»viaje no detalhe»Precisamos de mais hinos e cânticos de qualidade?

Precisamos de mais hinos e cânticos de qualidade?

Recentemente, comecei a explorar o hinário “Our Own Hymnbook”, que foi compilado por Charles Spurgeon para o Tabernáculo Metropolitano. Mesmo sendo apaixonado por hinos e tendo convicções batistas reformadas, confesso que tinha deixado esse hinário de lado. Ao lê-lo, me perguntei: nossas igrejas ainda precisam de novos hinos?

O povo de Deus é, por natureza, um povo que canta. Esse hinário possui 1.135 hinos. Se uma congregação cantasse entre 13 e 15 hinos por semana, teria hinos suficientes para mais de dois anos sem repetir nada. E ainda nem estamos considerando os Salmos, que são divinamente inspirados, ou qualquer canção escrita após 1873. Diante de tal riqueza, será que precisamos mesmo de mais canções?

### Hinos da Nossa História

Como compositor de hinos, seria esperada uma resposta positiva da minha parte. Contudo, a realidade é que não precisamos urgentemente de novos hinos. Os Salmos já são suficientes para uma eternidade de louvor. Se acrescentarmos os hinos de Charles Wesley, Isaac Watts e outros, já temos um vasto repertório.

Os hinos clássicos, assim como os livros antigos, têm o poder de corrigir a visão que temos sobre a vida e a espiritualidade. Eles trazem verdades atemporais que podem nutrir nossas almas. É importante incluí-los, junto com os Salmos, como parte central da nossa adoração.

No entanto, novos hinos têm seu espaço na vida do culto. canções precisam ser escritas de uma forma que converse com o povo, no contexto e na língua do tempo atual.

Como compositores, escrevemos letras que refletem o nosso culto e falem diretamente às nossas congregações, ou seja, às pessoas que conhecemos e amamos. O objetivo é ajudar “a palavra de Cristo a habitar ricamente em vocês”, como diz em Colossenses 3:16. Assim como os pregadores preparam seus sermões para a audiência, os poetas preparam suas canções para o povo.

### Hinos para o Seu Povo

Recentemente, um membro da minha igreja me abordou após o culto. Ele mencionou que havia lido o “Hinário de Olney” e que isso o fez lembrar de mim. Fiquei lisonjeado até ele mencionar que muitos dos hinos de Newton não eram tão bons.

Felizmente, ele não estava se referindo à qualidade das minhas composições. Ele queria, na verdade, me encorajar a continuar escrevendo. Ele citou que, embora muitos hinos de Newton tenham sido esquecidos, alguns se destacam como verdadeiros clássicos.

Imaginemos o mundo sem hinos como “Amazing Grace” ou “Glorious Things of Thee Are Spoken”. A maioria de nós pode não ter a habilidade de escrever hinos tão duradouros, mas Newton também não se via assim sempre. Ele escrevia hinos para ajudar sua congregação a entender as mensagens que ele compartilhava nos cultos.

É verdade que muitas canções podem ser passageiras, assim como flores murcham. Porém, as novas composições ainda podem trazer benefícios para o povo de Deus. Se Jesus não voltar em breve, talvez alguns hinos escritos hoje sejam o sopro renovador que fará parte da adoração nos séculos vindouros.

### Hinos para a Sua Glória

O essencial é que tanto poetas quanto pregadores estejam atentos ao mesmo público ao escrever e compartilhar. A razão mais importante para criar novos hinos é expressar, de forma renovada, nosso amor e admiração pelo nosso Deus.

Mais de 155 anos se passaram desde que Spurgeon trouxe seu hinário à vida, mas nosso Deus permanece o mesmo. A realidade do pecado e a promessas de salvação continuam inalteradas. As misericórdias de Deus se renovam a cada dia, e nossas canções, assim como nossas mensagens, devem expressar verdades antigas de uma maneira nova.

O salmista nos encoraja a “cantar ao Senhor um cântico novo” (Salmo 96:1), mas isso não significa que vamos pregar ideias novas. Pelo contrário, estamos celebrando a mesma salvação e o mesmo Deus, mas de formas que ressoam com nosso coração e nosso tempo. Gerações passadas já cantaram a glória de Deus e levantaram cânticos que expressavam gratidão e dependência dEle, e nós devemos fazer o mesmo.

Então, para todos os poetas, peguem suas canetas e louvem a Deus! Escrevam novas canções que celebrem a renovação diária de Suas misericórdias. Contem a antiga história de maneira fresca e envolvente. Escrevam as melhores canções possíveis, mas estejam prontos para a possibilidade de que elas possam ser esquecidas. O essencial é que, independentemente do que aconteça, Deus as ouviu e isso já é uma grande vitória.

Concluindo, a música continua a ser uma parte vital da vida da igreja, e novos hinos podem enriquecer nossa adoração. É um convite a criar e compartilhar, a expressar nosso amor por Deus de novas maneiras. Que possamos sempre ter um coração aberto para cantar e adorar, seja com hinos novos ou antigos.

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