A Maior Lua de Plutão: Charon
Você sabe qual é a maior lua de Plutão? O nome dela em inglês é Charon. Essa lua é tão grande em relação a Plutão que forma quase um sistema binário com ele, mudando a forma como os dois giram no espaço.

Imagem da lua Charon, com Plutão ao fundo.
Charon merece mais atenção do que apenas o nome em inglês. Vamos dar uma olhada nas suas características físicas, nas imagens capturadas pela sonda New Horizons, e entender como Charon e Plutão interagem. Esse par é super único no sistema solar.
Charon: A Maior Lua de Plutão
Charon é a lua que orbita Plutão e, com um tamanho impressionante, tem cerca da metade do diâmetro do planeta anão. Ela mostra sempre a mesma face para Plutão e possui uma mancha escura, chamada Mordor Macula, em seu polo norte.
Nome em inglês e tradução
O nome dela, Charon, vem da mitologia grega. Charon era o barqueiro que levava as almas pelo rio Aqueronte. Em português, ela também é chamada de Caronte. O astrônomo James Christy, que a descobriu em 1978, se inspirou no apelido da esposa, Charlene, que era chamada de “Char”.
A grafia “Charon” é a mais utilizada internacionalmente, inclusive pela União Astronômica Internacional. Usar “Charon” ajuda a encontrar mais informações em inglês, enquanto “Caronte” aparece em textos em português. Portanto, ambos funcionam e são reconhecidos.
Descoberta da lua Charon
A descoberta de Charon aconteceu no dia 22 de junho de 1978, graças ao trabalho de James Christy e Robert Harrington. Christy notou uma protuberância repetida nas imagens do Observatório Naval dos EUA. Esse detalhe inicial acabou se revelando um satélite em órbita, mudando a percepção que tínhamos sobre Plutão.
Com a descoberta de Charon, ficou mais fácil medir a massa e a órbita do sistema Plutão-Charon, já que essa lua é bem grande comparada ao planeta anão.
Características físicas e geológicas
Charon possui diâmetro que varia entre 1.200 e 1.214 km, quase metade do diâmetro de Plutão. Sua massa é cerca de 12% da massa de Plutão, o que resulta em um baricentro, ou centro de massa, situado fora do próprio planeta.
Os dois corpos têm uma rotação síncrona. Isso significa que, se você estivesse em Plutão, veria sempre a mesma face de Charon. A superfície da lua apresenta cânions amplos, fraturas e características tectônicas, o que indica que já houve movimentação de gelo.
Em 2015, a sonda New Horizons trouxe imagens incríveis que revelaram essas estruturas, sugerindo que houve processos geológicos por lá no passado.
Composição da superfície e da atmosfera
Charon tem uma superfície composta principalmente por gelo de água. No polo norte, existe uma mancha escura e avermelhada, chamada Mordor Macula. Essa mancha é formada por compostos orgânicos que se originam do metano que fugiu de Plutão e passou por reações químicas.
Diferente de Plutão, Charon quase não tem atmosfera, então não tem ar denso. A interação entre os dois corpos, junto da presença de gelo de nitrogênio em Plutão, ajuda a explicar as diferenças de cor e composição entre eles.
Plutão, Suas Luas e o Sistema Plutão-Charon
Plutão é classificado como um planeta anão e pertence ao Cinturão de Kuiper, possuindo um total de cinco luas. A maior dessas luas é, sem dúvida, Charon. As outras quatro luas — Nix, Hidra, Cérbero e Estige — são bem menores, mas têm suas próprias características únicas.
O sistema binário Plutão-Charon
Charon e Plutão formam quase um par inseparável. Como Charon tem um diâmetro em torno da metade do de Plutão, o baricentro desse sistema fica fora do próprio planeta. Assim, ambos giram em torno de um ponto no espaço que está entre eles, levando a essa interação que é muitas vezes chamada de sistema binário.
A interação gravitacional entre Plutão e Charon sincroniza suas rotações, fazendo com que sempre mostrem a mesma face um para o outro. Essa configuração influencia as marés e a estabilidade das outras luas do sistema.
Pesquisas feitas com a sonda New Horizons, o Telescópio Hubble e modelos dinâmicos ajudam a entender melhor como esse par se formou. Uma hipótese é que um grande impacto no passado pode ter dado origem a esse sistema.
Outras luas de Plutão: Nix, Hidra, Cérbero e Estige
As quatro luas menores orbitam mais longe de Charon e têm tamanhos e massas bem reduzidos. Nix e Hidra, por exemplo, são relativamente brilhantes e têm formatos irregulares. Já Cérbero e Estige são ainda menores e mais difíceis de serem observadas.
Essas luas têm órbitas quase circulares e estão próximas de ressonâncias com Charon, sugerindo que uma parte do material delas pode ter se originado do mesmo evento que criou Charon.
Observações feitas com o Telescópio Hubble e o Telescópio James Webb ajudaram a gerar imagens e medidas, contribuindo para a estimativa de dimensões e características dessas pequenas luas.
A exploração científica: New Horizons e telescópios espaciais
A sonda New Horizons, comissionada pela NASA e liderada por Alan Stern, sobrevoou Plutão em julho de 2015. Ela capturou imagens de alta resolução de Plutão e Charon, além de mapear feições geológicas e detectar variações de cor na superfície.
Os dados da missão mudaram nossa compreensão sobre a geologia e as atmosferas finas que podem existir em corpos do Cinturão de Kuiper. O Telescópio Espacial Hubble, por sua vez, identificou e monitorou as pequenas luas antes do sobrevoo da sonda.
Mais recentemente, o Telescópio Espacial James Webb ajudou a medir composições e testou teorias sobre a origem dessas luas. A colaboração entre New Horizons, Hubble e Webb resultou em um entendimento muito mais profundo do sistema e de suas interações com o Sol, além de seu contexto no Cinturão de Kuiper.
É fascinante pensar em quanto mais pode estar escondido por lá, não é mesmo?