09/02/2026
@»Medicina Geriátrica Notícias»O impacto do aborto na saúde futura dos EUA

O impacto do aborto na saúde futura dos EUA

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (9), a renovação dos subsídios do ACA (Affordable Care Act), popularmente conhecido como Obamacare. Esse programa visa reduzir os custos com saúde, destinando parte da arrecadação de impostos para ajudar a custear planos de saúde para famílias de baixa e média renda.

Os subsídios que beneficiam milhões de cidadãos estão programados para expirar em dezembro de 2025. Essa situação poderia resultar em um aumento dos custos de saúde para a população, gerando um desafio político para o Partido Republicano, que historicamente se opõe ao ACA desde sua implementação em 2010.

Durante a votação, 17 deputados republicanos se uniram aos democratas para aprovar o projeto de lei que renova os subsídios. Agora, a proposta segue para o Senado, onde discussões sobre o aborto podem complicar as negociações. A Emenda Hyde, em vigor desde 1976, proíbe o uso de recursos públicos para custear abortos, exceto em casos de gravidez resultante de estupro ou risco de vida para a mãe. Recentemente, o ex-presidente Donald Trump sugeriu que os membros do Partido Republicano deveriam ser mais flexíveis quanto a essa proibição, o que gerou tensão entre os aliados.

Paralelamente, o Partido Republicano trabalha em sua própria proposta para o programa de saúde. O projeto que renova os subsídios por três anos é considerado difícil de passar no Senado, onde os democratas têm a maioria. No entanto, a aprovação na Câmara, especialmente com o apoio de alguns republicanos, pode pressionar os senadores a chegarem a um acordo mais palatável.

Atualmente, planos de saúde que cobrem abortos são obrigados a isolá-los em suas cobranças, garantindo que os subsídios federais não sejam utilizados para esses procedimentos. Grupos pró-vida, como a National Right to Life, buscam novas restrições para que planos que incluam essa cobertura não recebam mais ajuda federal.

Os democratas se opõem a essas novas limitações e propõem o fim da Emenda Hyde nas discussões. O texto aprovado na Câmara não aborda o tema do aborto especificamente, mas essa questão levou a pressão de grupos antiaborto para que a votação fosse adiada em dezembro, resultando na expiração dos subsídios.

Em um discurso no Kennedy Center, em Washington, o ex-presidente Trump comentou que os republicanos devem ser “um pouco flexíveis” nas discussões sobre o aborto para avançar na aprovação do programa de saúde, que é uma prioridade do governo para conter o aumento no custo de vida. Contudo, essa declaração foi mal recebida entre os republicanos mais conservadores, como o senador Kevin Cramer, que se manifestou contra qualquer mudança nessa postura.

Marjorie Dannenfelser, presidente de uma organização antiaborto, alertou que uma mudança na posição do Partido Republicano poderia prejudicar sua relação com os eleitores, especialmente com as eleições legislativas de meio de mandato se aproximando ao final de 2026. Essas eleições são vistas como um termômetro da popularidade do governo e podem alterar a dinâmica de poder no Congresso.

Diante desse cenário, os republicanos enfrentam o desafio de decidir qual questão impactará mais seu eleitorado: as concessões sobre o aborto ou o aumento dos custos de saúde. O ex-presidente Trump indicou que a questão econômica é sua prioridade atual, refletindo uma busca por soluções que ajudem a conter os altos custos de vida.

Sobre o autor: suporte

Ver todos os posts →