24/03/2026
@»ortopedistadeombro»O álcool e seu custo à saúde no contexto social

O álcool e seu custo à saúde no contexto social

Um estudo recente, que analisou dados de cerca de 100 milhões de pessoas ao longo de dez anos, concluiu que não existe uma quantidade segura de álcool a ser consumida. Essa pesquisa, publicada na revista científica Cancer Epidemiology, reforça o que a Organização Mundial da Saúde (OMS) já afirmava: mesmo em pequenas doses, o álcool pode aumentar o risco de câncer. Portanto, a ideia de que “beber com moderação” é seguro não é válida.

O consumo de bebidas alcoólicas está profundamente enraizado na cultura de diversas sociedades, sendo muitas vezes visto como um símbolo de convivência e pertencimento social. Em festas familiares, celebrações e eventos esportivos, o ato de brindar com álcool é comum e esperado. A recusa em consumir bebida alcoólica pode gerar estranhamento e até a necessidade de explicações.

Por exemplo, a próxima Copa do Mundo de Futebol, que ocorrerá nos Estados Unidos, México e Canadá, tem entre seus principais patrocinadores marcas de cerveja e bebidas ultraprocessadas. Isso mostra como o álcool e produtos prejudiciais à saúde estão frequentemente vinculados à ideia de celebração e união.

Esse cenário é similar ao que ocorreu com o tabagismo, que durante muito tempo foi promovido na publicidade como algo glamoroso e aceitável. Atualmente, a situação é ainda mais preocupante, pois o conhecimento sobre os riscos associados ao álcool é amplamente documentado. O álcool é considerado uma substância tóxica e carcinogênica. Quando ingerido, ele se transforma em acetaldeído, que pode causar danos ao DNA e favorecer o crescimento desordenado das células, contribuindo assim para o desenvolvimento de câncer.

Além disso, o consumo de álcool, mesmo em quantidades tidas como leves, já apresenta riscos à saúde. Quando combinado com o tabaco, esse risco aumenta significativamente, elevando as chances de câncer de boca, garganta, faringe, esôfago e estômago. A introdução de alimentos ultraprocessados na dieta, que também estão associados a um aumento no risco de câncer colorretal, intensifica essa preocupação, especialmente entre os mais jovens.

É importante destacar que discutir os efeitos do álcool não é uma forma de restringir a liberdade pessoal. Falar sobre isso é, na verdade, uma questão de informação e prevenção. Reduzir o consumo de álcool, juntamente com ultraprocessados e tabagismo, pode ser uma estratégia eficaz para evitar não só câncer, mas também problemas cardiovasculares e outras doenças crônicas, como a obesidade.

A aplicação de políticas de saúde pública que informem a população pode ter um impacto positivo nas escolhas feitas, tanto individualmente quanto coletivamente. O pertencimento social não deve ter um custo tão alto quanto a saúde.

Sobre o autor: suporte

Ver todos os posts →