Um estudo recente, que analisou dados de cerca de 100 milhões de pessoas ao longo de dez anos, concluiu que não existe uma quantidade segura de álcool a ser consumida. Essa pesquisa, publicada na revista científica Cancer Epidemiology, reforça o que a Organização Mundial da Saúde (OMS) já afirmava: mesmo em pequenas doses, o álcool pode aumentar o risco de câncer. Portanto, a ideia de que “beber com moderação” é seguro não é válida.
O consumo de bebidas alcoólicas está profundamente enraizado na cultura de diversas sociedades, sendo muitas vezes visto como um símbolo de convivência e pertencimento social. Em festas familiares, celebrações e eventos esportivos, o ato de brindar com álcool é comum e esperado. A recusa em consumir bebida alcoólica pode gerar estranhamento e até a necessidade de explicações.
Por exemplo, a próxima Copa do Mundo de Futebol, que ocorrerá nos Estados Unidos, México e Canadá, tem entre seus principais patrocinadores marcas de cerveja e bebidas ultraprocessadas. Isso mostra como o álcool e produtos prejudiciais à saúde estão frequentemente vinculados à ideia de celebração e união.
Esse cenário é similar ao que ocorreu com o tabagismo, que durante muito tempo foi promovido na publicidade como algo glamoroso e aceitável. Atualmente, a situação é ainda mais preocupante, pois o conhecimento sobre os riscos associados ao álcool é amplamente documentado. O álcool é considerado uma substância tóxica e carcinogênica. Quando ingerido, ele se transforma em acetaldeído, que pode causar danos ao DNA e favorecer o crescimento desordenado das células, contribuindo assim para o desenvolvimento de câncer.
Além disso, o consumo de álcool, mesmo em quantidades tidas como leves, já apresenta riscos à saúde. Quando combinado com o tabaco, esse risco aumenta significativamente, elevando as chances de câncer de boca, garganta, faringe, esôfago e estômago. A introdução de alimentos ultraprocessados na dieta, que também estão associados a um aumento no risco de câncer colorretal, intensifica essa preocupação, especialmente entre os mais jovens.
É importante destacar que discutir os efeitos do álcool não é uma forma de restringir a liberdade pessoal. Falar sobre isso é, na verdade, uma questão de informação e prevenção. Reduzir o consumo de álcool, juntamente com ultraprocessados e tabagismo, pode ser uma estratégia eficaz para evitar não só câncer, mas também problemas cardiovasculares e outras doenças crônicas, como a obesidade.
A aplicação de políticas de saúde pública que informem a população pode ter um impacto positivo nas escolhas feitas, tanto individualmente quanto coletivamente. O pertencimento social não deve ter um custo tão alto quanto a saúde.