09/02/2026
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Excesso de Reels e TikToks pode afetar a saúde ocular

Um estudo recente na Índia trouxe à tona preocupações sobre os efeitos do consumo de vídeos curtos no celular na saúde dos olhos. A pesquisa comparou a leitura de e-books, vídeos tradicionais e os conteúdos rápidos das redes sociais e identificou que esses últimos causam maior sobrecarga visual. Os resultados indicaram que assistir a vídeos curtos reduz a frequência de piscadas e provoca mais variações no tamanho da pupila, fatores associados à fadiga ocular digital.

O estudo, publicado no Journal of Eye Movement Research, acompanhou 30 jovens adultos durante uma hora de uso contínuo de smartphones. Para isso, foi criado um sistema portátil com câmera infravermelha que permitiu medir em tempo real a taxa de piscadas e o diâmetro da pupila, de forma a não atrapalhar a experiência dos participantes enquanto usavam os dispositivos.

Os dados mostraram uma diminuição significativa na frequência das piscadas em todas as atividades observadas. Contudo, enquanto a leitura e vídeos mais longos mantiveram o diâmetro da pupila estável, os vídeos curtos causaram variações mais acentuadas, indicativas de maior esforço do sistema visual.

O oftalmologista Lucas Zago, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que a fadiga ocular, conhecida como astenopia, ocorre quando os olhos estão submetidos a um esforço contínuo, especialmente em tarefas que exigem foco próximo. Ele observa que a redução nas piscadas, a necessidade de focar e fatores como brilho excessivo e iluminação inadequada contribuem para esse problema. Os vídeos curtos, presentes em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube, forçam os olhos a se ajustarem constantemente devido às rápidas mudanças de brilho e imagem.

Segundo Zago, essa fadiga ocular já é frequentemente observada em consultórios, com um crescimento de pacientes que relatam desconforto visual após o uso prolongado de redes sociais. Alguns especialistas até têm chamado essa condição de “síndrome de visão de reels”.

O estudo é especialmente relevante em um momento em que o uso de smartphones está se tornando cada vez mais comum. Em 2023, mais de 68% da população mundial possuía um celular. No Brasil, os números são ainda mais elevados, com 88,9% da população com 10 anos ou mais tendo acesso a um aparelho, conforme dados recentes.

Entre os participantes do estudo indiano, 60% relataram sentir desconforto ocular, dor no pescoço ou fadiga nas mãos, e 83% associaram o uso excessivo de telas a problemas como ansiedade e distúrbios do sono. Os efeitos nos olhos, segundo Zago, vão além do desconforto temporário. No curto prazo, podem aparecer ardor, lacrimejamento, visão embaçada e dores de cabeça. A redução frequente das piscadas também pode agravar casos de olho seco a longo prazo.

Para prevenir esses problemas, especialistas recomendam a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de uso, olhar para um ponto a cerca de 6 metros de distância por 20 segundos. Além disso, é importante ajustar o brilho da tela, evitar o uso do celular no escuro e manter uma distância adequada ao olhar para a tela. Em alguns casos, lágrimas artificiais podem ser indicadas com orientação médica.

Crianças também merecem atenção especial. Zago alerta que a exposição a telas deve ser evitada para crianças menores de 2 anos, e o uso excessivo pode aumentar o risco de miopia. É fundamental promover atividades ao ar livre e assegurar um uso equilibrado das telas para preservar a saúde dos olhos desde cedo.

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